Caminhoneiros “ignoram” acordo com governo e mantêm greve

Caminhoneiros fizeram grande carreata ontem em Campo Mourão, com faixas de protesto nos veículos – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

A greve dos caminhoneiros continua em Campo Mourão e região, com força total, independente do acordo firmado ontem à noite entre o governo e alguns representantes da categoria. Pelo acordo a paralisação será suspensa por 15 dias. Em troca, a Petrobras mantém a redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 30 dias, enquanto o governo costura formas de reduzir os preços.

A Petrobras mantém o compromisso de custear esse desconto, estimado em R$ 350 milhões, nos primeiros 15 dias. Os próximos 15 dias serão patrocinados pela União.

No entanto, segundo o representante da categoria, por meio do grupo GCM Transportes, Alan Dione Paulista, a paralisação continua da mesma forma, com pelo menos 90% dos caminhoneiros a favor do protesto em Campo Mourão. “Não mudou nada, nem conhecemos aquele grupo que negociou com o governo ontem”, disse ele.

Segundo Alan, a paralisação só termina quando houver um posicionamento oficial da categoria, que atenda às reivindicações dos caminhoneiros, o que segundo ele ainda não ocorreu. “Ninguém gostaria de estar nas rodovias, parando caminhões, mas infelizmente a situação e essa. O movimento continua forte, porque para nós é uma questão de sobrevivência”, afirmou.

Os bloqueios continuam por todo o Brasil, conforme explica o representante da classe. “Com todas aquelas lideranças que temos contato, em vários estados do Brasil, os bloqueios continuam firmes. Em Campo Mourão e região o apoio é total, o que ficou claro na passeata de ontem e o caminhoneiro que não foi para a estrada, está parado em casa.”

O movimento segue pacifico. Os manifestantes, conforme explica Alan, só estão barranco caminhões com cargas não perecíveis. “Ontem, por exemplo, fizemos um acordo com a JBS e liberamos os últimos caminhões que chegaram para o abate de frangos. A intenção não é prejudicar ninguém, mas lutamos por uma causa justa, pelo bem de todos nós”, completa.