Calçadão da Avenida Capitão Índio Bandeira completa 35 anos

Fotos: Divulgação

Foi num fim de tarde chuvoso, em 9 de outubro de 1991, que o prefeito Augustinho Vecchi inaugurou oficialmente o Calçadão da Avenida Capitão Índio Bandeira, no centro de Campo Mourão. A obra, que completa 35 anos nesta sexta-feira, nasceu de um projeto de revitalização urbana destinado a modernizar a principal avenida da cidade, reorganizar o trânsito e fortalecer o comércio. Inicialmente recebida com resistência por parte dos comerciantes, a intervenção transformou a paisagem urbana e se tornou um dos espaços mais conhecidos do município.

A proposta foi apresentada publicamente em 2 de julho de 1989, pelo jornal O Estado do Paraná, e também divulgada pela Gazeta do Centro-Oeste. O projeto previa a remodelação de três quadras da Avenida Capitão Índio Bandeira, entre as ruas Francisco Ferreira Albuquerque e São Paulo, passando pelas ruas Brasil e Harrison José Borges. A intervenção incluía o estreitamento da pista de veículos, ampliação dos espaços para pedestres e instalação de quiosques, telefones públicos, bancos, lixeiras e jardineiras.

À frente da iniciativa estavam o prefeito Augustinho Vecchi e o engenheiro civil Munir Barakat, então coordenador de planejamento do município. Como Campo Mourão não dispunha de experiência técnica específica na elaboração de projetos dessa natureza, a Prefeitura contratou uma equipe de Curitiba, liderada pelo arquiteto e urbanista Alberto Folloni, que já possuía experiência no planejamento de calçadões. O trabalho foi desenvolvido em conjunto com a administração municipal e sua equipe técnica, incorporando também a participação da comunidade.

Um dos elementos mais conhecidos do projeto surgiu justamente dessa participação popular. A Casa da Cultura promoveu um concurso artístico para escolher os desenhos que seriam reproduzidos no pavimento do calçadão. O vencedor foi o artista plástico português Bernardo Matos, radicado em Campo Mourão, que criou as andorinhas que se tornariam uma das marcas visuais da avenida.

Em entrevista concedida em 2019, Matos contou que soube do concurso por amigos, mas encontrou dificuldades para definir uma imagem que representasse Campo Mourão. Diferentemente de Maringá, que possuía a catedral como símbolo arquitetônico, ele não identificava na cidade uma referência visual de reconhecimento imediato. A inspiração surgiu quando, deitado no terraço de sua residência, de onde podia observar a área do futuro calçadão, presenciou uma revoada de andorinhas ao entardecer. Decidiu transformar as aves em desenhos para o pavimento, apesar de reconhecer que elas dividiam opiniões entre os moradores.

O projeto, entretanto, não foi recebido com unanimidade. Alguns comerciantes temiam que a redução do espaço destinado aos automóveis prejudicasse o movimento das lojas. Empresários chegaram a declarar à imprensa que o calçadão poderia representar o fim de seus estabelecimentos. A preocupação também envolvia os transtornos provocados pelas obras, como poeira, bloqueios de vias e dificuldades de acesso.

Para reduzir os impactos, a Prefeitura decidiu executar a revitalização por etapas. Em 1990, os trabalhos começaram pela praça, com intervenções na pavimentação e no chafariz, avançando posteriormente para a quadra entre as ruas Francisco Ferreira Albuquerque e Brasil, nas proximidades da antiga rodoviária e do prédio que atualmente abriga o Museu de História, Imagem e Som Deolindo Mendes Pereira. À medida que a obra tomava forma, a população passou a compreender melhor a proposta.

Em 1991, os trabalhos avançaram para a quadra entre as ruas Brasil e Harrison José Borges. Foi nesse contexto que ocorreu a inauguração oficial, em 9 de outubro, sob chuva. O último trecho, entre as ruas Harrison José Borges e São Paulo, seria executado em 1992, completando a intervenção planejada para as três quadras.

A obra integrou a campanha municipal “Sou Campo Mourão de Coração”, que buscava estimular a participação da população no desenvolvimento da cidade. Na época, a administração defendia que a revitalização era necessária para consolidar Campo Mourão como polo regional de comércio e prestação de serviços, numa região que reunia 21 municípios.

Durante mais de duas décadas, os desenhos de andorinhas criados por Bernardo Matos permaneceram no pavimento de petit-pavé, tornando-se parte da identidade visual do centro. Em abril de 2014, uma nova revitalização substituiu o piso original por blocos de concreto do tipo paver, eliminando os mosaicos que haviam marcado a primeira intervenção.

Passados 35 anos, o Calçadão da Avenida Capitão Índio Bandeira permanece como referência da área central de Campo Mourão. A obra que inicialmente provocou desconfiança entre comerciantes acabou incorporada à rotina da população, tornando-se espaço de circulação, encontros e convivência. Sua história também preserva a lembrança das andorinhas que, inspiradas numa revoada observada por um artista português, ganharam lugar definitivo na memória dos mourãoenses.