Bairros em foco: Loteado em 96 Jardim Batel ainda não tem asfalto
Localizado entre os bairros Santa Cruz e Mario Figueiredo, o Jardim Batel foi loteado em 1996. Desse período até hoje tem praticamente as mesmas reivindicações, conta agora com a super-creche que apesar de estar pronta há mais de um ano tem previsão para ser inaugurada apenas em fevereiro de 2012. Atualmente sua associação de moradores tem como presidente Luciano de Oliveira, que assumiu o cargo em 2011 para um mandato de 2 anos. Em entrevista ao Tá Sabendo, Oliveira conta um pouco de seus sete meses frente à entidade e elenca as dificuldades de sua função e do bairro.
Tasabendo.com: O que o levou a ser um presidente de Associação de Moradores?
Luciano de Oliveira: O que me levou a ser presidente da Associação de Moradores foi perceber a necessidade de ter pessoas no bairro dispostas a trabalhar em prol do jardim, porque a gente percebeu que o nosso bairro estava esquecido pelo poder público e muitas vezes a comunidade nossa não estava conseguindo se articular no sentido de conseguir uma força necessária para buscar do poder público o que a gente estava precisando. Tínhamos pessoas na comunidade com vontade de buscar melhorias para o bairro, mas separados a coisa ficava complicada, então nós precisávamos nos reunir… A associação de moradores já existia, mas de maneira informal. Eu coloquei meu nome a disposição para buscar organizar as pessoas para a gente poder buscar junto à prefeitura o que a gente precisava.
Tasabendo.com: Em que condições você encontrou o bairro quando assumiu a presidência?
Luciano de Oliveira: Então… a gente encontrou nas condições precárias e de certa forma não muito diferente do que está agora, porque infelizmente a gente não tem uma resposta da prefeitura da forma que a gente esperava. Muitos problemas, principalmente a questão do asfalto, terrenos baldios, falta de infra-estrutura em todos os sentidos.
Tasabendo.com: O que você fez para melhorar as condições do bairro?
Luciano de Oliveira: A primeira coisa foi a regularização da nossa associação. Agora estamos pleiteando que ela seja reconhecida como de utilidade pública tanto municipal como estadual. E após isso nós começamos as reivindicações junto à prefeitura. Não conseguimos o asfalto, mas conseguimos o cascalhamento das ruas, conseguimos a alteração da linha do circular, que passava no nosso bairro só de uma em uma hora, que agora passa de meia em meia hora. Já fizemos vários pedidos à prefeitura. Pedimos uma lombada numa das esquinas da Rua Germano Bathke, onde há um grande fluxo de veículos onde já teve vários acidentes. Estamos negociando junto à loteadora a questão do nosso asfalto, que depende de a loteadora fazer as galerias e o meio fio, porque a prefeitura alega que não pode fazer o asfalto enquanto isso não for resolvido.
Tasabendo.com: A população é ativa e participa das ações no Bairro?
Luciano de Oliveira: Quando você forma uma associação, uma dificuldade grande que você tem muitas vezes é você conseguir juntar as pessoas, porque muitas vezes as pessoas querem o benefício, mas não correm atrás. Mas graças a Deus nós estamos tendo uma boa participação sim da população. Temos a nossa diretoria que é atuante e temos pessoas que apesar de não fazerem parte oficialmente da associação nos dão um respaldo.
Tasabendo.com: Quais as principais reivindicações?
Luciano de Oliveira: Infelizmente, em pleno século 21, nossa principal reivindicação ainda é o asfalto. Depois nós precisamos de arborização, queremos a criação de uma sede da nossa associação e para isso estamos pleiteando um terreno que fica atrás da super-creche.
Tasabendo.com: Você tem algum canal de comunicação com a prefeitura?
Luciano de Oliveira: Quando eu vou à prefeitura eu falo com o pessoal das secretarias de Planejamento e de Obras. Infelizmente nós não temos nessa região nenhum representante na Câmara Municipal e isso complica um pouco, porque depois que passou o período eleitoral nunca mais um vereador pisou aqui.
Tasabendo.com: Como é recebido pelas autoridades quando vai reivindicar alguma obra ou melhoria?
Luciano de Oliveira: Eles nos recebem muito bem. A figura do prefeito eu não tenho muito acesso a ele. Eu, desde quando assumi, nunca consegui ter acesso ao prefeito. Ele não tem muito boa vontade em atender a nossa associação. Mas da equipe dele que nos atende a gente não tem do que reclamar.
Tasabendo.com: O que a população pode fazer para melhorar o bairro sem depender da prefeitura?
Luciano de Oliveira: O ano que vem a gente vai realizar uma série de ações no bairro, para fazer arrastão de limpeza, pó causa do mosquito da dengue. Vamos fazer um trabalho de conscientização do povo em relação à segurança no sentido de as pessoas cuidarem uma da casa da outra.
Tasabendo.com: Quais as maiores dificuldades que você enfrenta como presidente de bairro?
Luciano de Oliveira: A nossa associação, como todas as associações, não dispõe de recursos. Uma dificuldade é que na prefeitura, para você conseguir alguma coisa, você tem que insistir muito, tem que correr muito atrás. Não tem nenhuma secretaria própria para atender as associações de moradores.
Tasabendo.com: Vale a pena a dedicação e o trabalho em favor do bairro?
Luciano de Oliveira: Eu creio que sim, porque é como se diz: “se a gente não correr atrás, nada acontece”. A gente tem que se conscientizar de que se a gente quiser alguma coisa para o nosso bairro a gente tem que se organizar. Com muita luta o bairro já vem, melhorando.
Tasabendo.com: Que conselho você daria para quem pretende ser presidente de bairro?
Luciano de Oliveira: O conselho que eu daria é que a pessoa saiba que ela vai ter dificuldades, ela passa a ser uma referência no bairro, mas que ele enfrente a situação, encare as dificuldades de cabeça erguida e que procure trabalhar sempre em conjunto, jamais procurar assumir responsabilidades sozinho.
(Carlos Eduardo Kadu / Fotos: Fernando Lorenzzo)