Aviação comercial: charme no céu de Campo Mourão
Nos primórdios de Campo Mourão, viajar pelas estradas era uma verdadeira aventura. Na década de 1940 até a metade dos anos de 1960, uma viagem para Maringá, hoje feita em menos de uma hora, demorava quase um dia, isso se não chovesse pelo caminho. Paralelo as aventuras pelas estradas “poeirentas e barrentas”, a aviação comercial em Campo Mourão vivia seus momentos de glória. Uma situação bem diferente da atualidade, sem linha comercial e com uma estrutura aeroportuária deficitária.
A cidade contava com os serviços de quatro companhias aéreas: Consórcio Real Aerovias S.A, Viação Aérea São Paulo, Sadia e Cruzeiro do Sul, além da BOA – Brasil Organização Aérea, que prestou funcionou na década de 1940. Centenas de pessoas vieram para Campo Mourão e região através das linhas comerciais. A movimentação era forte, chegando ao ponto da vereadora Dúlcia Gomes Delatre a pedir na Câmara Municipal a pavimentação da pista, que veio somente a ser concretizada no final do governo de Jayme Canet Júnior (1975-1979).
Na década de 60, a aviação comercial brasileira passava por uma crise econômica de graves proporções, em função da baixa rentabilidade provocada pela concorrência excessiva, da necessidade de mais investimentos na renovação da frota, visando à substituição de aeronaves de difícil manutenção e baixa disponibilidade e das alterações na política econômica do país, que retirou das empresas aéreas o benefício do uso do dólar preferencial para as importações,
entre outros fatores. Com esta crise, em pouco tempo desaparecia as linhas aéreas em Campo Mourão, que voltaria novamente a sentir os “roncos dos aviões” por um período abreviado na década de 1990.
O Aeroporto Municipal “Geraldo Guia de Aquino” foi aberto em 1947. Obra de 400 homens, que em três dias e meio de serviço abriram o campo de aviação, conhecido como “campo gavião”, em alusão a uma ave que sobrevoava o local, quando dos trabalhos de abertura. O aeroporto foi uma das primeiras providências do prefeito Pedro Viriato de Souza Filho, o primeiro eleito em 1947. Ele pediu ao Coronel Geraldo Guia de Aquino a inclusão de Campo Mourão na rota do correio aéreo. Depois do aeroporto pronto, Aquino trazia filmes, que eram exibidos na praça Getúlio Vargas.
Em seguida veio a construção da Estação Aeroviária, a mesma até hoje, edificada pelo pioneiro Teodoro Metchko, que empresta seu nome para o prédio, com o auxilio do mestre de obras, Paulo Tibarch. Em 2005 foi aprovado o tombamento da Estação, que agora passa por um processo de reformas.