Audiência Pública da Santa Casa leva bom público ao Teatro; mas nada é resolvido

Foi realizada na noite desta segunda-feira (15), no Teatro Municipal, a audiência pública convocada pela Câmara de Vereadores para tratar sobre a atual situação do Hospital Santa Casa de Campo Mourão. O evento teve a participação da diretoria da entidade, vereadores locais e da região, representantes de órgãos públicos estaduais e municipais ligados a área da saúde, prefeitos de quatro municípios do Vale do Piquirivaí e representantes da entidade que congrega os empregados em estabelecimentos de saúde, além de um bom público.

Após uma breve explanação sobre os motivos da realização da audiência pública, feita pela vereadora Professora Vilma Terezinha (PT), o presidente do Hospital Santa Casa, Luiz Marcos Mancebo considerou positiva a mobilização na busca de soluções para a instituição. Também acentuou que a crise enfrentada pela entidade é mais de credibilidade, do que financeira. “Assumimos uma entidade que as pessoas não acreditam e precisamos mudar essa realidade”, alertou.

Na sequência, ele expôs os serviços oferecidos, falou sobre o quadro de funcionários e a folha de pagamento, discorreu sobre a estrutura física atual, capacidade de atendimento e os novos blocos em construção. Fez questão de observar que para a utilização das novas edificações será necessária a construção de passarelas de ligação entre os blocos, pavimentação do novo pátio, centralização da recepção e ainda obras de infraestrutura, como galerias pluviais, energia elétrica, etc.

Luiz Marcos também revelou que a dívida do Hospital Santa Casa de Campo Mourão era de aproximadamente R$ 2.100.000,00 na segunda-feira e apresentou números para reafirmar a vocação pública da instituição, mas destacou que o atendimento particular é importante na entidade local e em instituições similares existente em muitas cidades brasileiras. Em várias oportunidades durante a audiência pública, ele acentuou que o HSC local não dispõe ainda de um sistema que possibilite um maior controle das receitas e despesas, mas adiantou que a diretoria vem trabalhando no sentido de viabilizar a implantação de um software para gerenciar essas informações.

Vários dos oradores cobraram informações sobre as receitas e despesas oriundas da ala particular, inclusive com afirmações de que profissionais estariam se beneficiando em detrimento da entidade. Aconteceram ainda manifestações pela encampação do Hospital Santa Casa pelo poder público, enquanto outros defenderam que Campo Mourão e a região – a exemplo do que acontece em diversas outras cidades paranaense – tenha um hospital público paralelamente a Santa Casa. Mas autoridades ligadas a saúde pública questionaram os altos custos comparando-se a produtividade.

A audiência pública foi realizada pelas comissões permanentes de Finanças e Orçamento e de Saúde, Educação e Segurança Pública da Câmara Municipal de Campo Mourão para tratar sobre os repasses dos governos municipal, estadual e federal, pronto atendimento, viabilidade econômico-financeira, capacidade instalada e modelo de gestão.

Ao final de mais de quatro horas de falas, praticamente nada ficou acertado, definido ou alinhavado. O que marcou mesmo foram discursos, teorias, devaneios e bate-boca.