Aparecida precisou ser mãe e pai de três filhos

Se você imagina que ser mãe é difícil, então tente ser mãe e pai ao mesmo tempo. Ter que chamar atenção e acalmar, ter que por para tomar banho e abraçar, levar para a escola, determinar a hora de dormir e acordar, enfim, as tarefas se multiplicam.

Aparecida de Freitas Miranda, 55 anos, vive essa experiência dupla. Hoje com os três filhos jovens, acima dos 20 anos, o desafio já não é tão árduo, como no passado quando se viu sozinha para criar Lynsson, Lucas e Lincoln, de 2, 4 e 6 anos, respectivamente.

“Era a idade que meus filhos tinham, quando o casamento não deu mais certo e separei. Morava em Curitiba e voltei para Campo Mourão, apenas com a roupa do corpo e uma TV. Desde então meu ex-marido só veio uma vez em Campo Mourão ver os filhos, mas nunca ajudou com nada”, relata ela.

Começava desde então o maior desafio da vida de Aparecida: acumular o papel de mãe e pai dos filhos. Sua rotina passou da casa para o trabalho, na Santa Casa, e do trabalho para casa. “Foi um momento difícil, mas tudo foi se encaminhando, meus filhos nem interromperam os estudos e fizeram a catequese. O fato de ser três meninos, aumentava o grau de dificuldade, não era fácil. O Lucas foi o que mais sentia falta do pai e por algum tempo chegou a me culpar, mas acho que consegui cumprir bem o papel de mãe e pai, pois tenho três filhos maravilhosos, obedientes e amorosos”, diz a mãe.

Aparecida lutou sozinha, nunca se casou e nem foi atrás do ex-marido para solicitar pensão. “Se fosse atrás do meu ex-marido sabia que só teria dor de cabeça, mas nunca falei mal dele aos meus filhos, pois sabia que eles não tinham culpa. Até hoje vivo em função dos meus filhos.”

Olhando para o passado, ela ainda se cobra. Acredita que não conseguiu ser uma mãezona, como deveria. “Acho que faltou um pouco de amor, de presença, mas eu tinha que trabalhar muito para dar uma vida digna a eles. O importante é que todos cresceram no caminho do bem, sempre dispostos a ajudar aqueles que mais precisam”, declara ela.

Por fim, Aparecida deixa uma mensagem para outras mães que também acumulam o papel de pai: “Que nunca desistam, pois o filho é o bem mais precioso e por ele vale pena todo trabalho, sofrimento e as lágrimas. Entendo que um filho é a própria presença de Deus em nossa vida.”