Agenda 21 aponta desperdício de dinheiro público na gestão do aterro sanitário
Cerca de 30% de todo lixo depositado no aterro sanitário de Campo Mourão são de produtos recicláveis. Segundo a coordenadora da Agenda 21, Lidia Mizote, esse percentual corresponde a cerca de 20 toneladas/dia de lixo reciclável indo para o aterro, enquanto pouco mais de uma tonelada/dia ou 3,5% são reciclados. Na opinião da ambientalista, o volume de recicláveis que vai para o aterro sanitário colabora para a redução de sua capacidade em receber o lixo orgânico. Assim são necessários cada vez mais investimentos do Município para a estrutura do aterro.
Mizote compara os 3,5% de reciclagem de Campo Mourão, aos 30% de Paranavaí e 67% de Francisco Beltrão, mas também ressalta que mesmo que houvesse em Campo Mourão políticas públicas que garantissem um volume maior de recicláveis, faltaria estrutura para receber tanto material. “Precisamos nos preparar para receber um volume maior de recicláveis sim, mas hoje ainda não estamos trabalhando com toda capacidade que temos. Tanto que hoje ao meio dia o pessoal da Cooperesiduos já estava indo embora porque não havia mais o que reciclar”, conta.
Mizote explica que a empresa Seleta é responsável pela manutenção do aterro, (depositando e cobrindo o lixo com camadas de terra) enquanto a Prefeitura deve garantir os investimentos para que o aterro tenha condições de receber o lixo. E nesse sentido, ela diz que o avanço da Prefeitura foi contratar uma engenheira ambiental para acompanhar as adequações que o aterro sanitário precisa para conseguir o licenciamento junto ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná). “Para receber mais lixo a Prefeitura fez emendas entre uma célula e outra, da primeira à quarta célula, de forma que tudo virou uma coisa só, talvez por isso o aterro opere sem licenciamento”, salienta.
Quanto ao trabalho da empresa Seleta, Mizote também aponta erros. “Não melhora o desempenho da Seleta. Ela estacionou na mesma quantidade de lixo reciclável… os coletores muitas vezes pegam o lixo reciclável e levam para o aterro, quando deveriam pegar o lixo orgânico e deixar o lixo reciclável para os dias da coleta seletiva… Mas se você questiona os coletores, eles dizem que é a gerência da Seleta que orienta a levar todo o lixo, se não a população reclama. Ou seja, a falta de consciência é de todos, nem só do Município, nem só da Seleta”, conclui.