1º seminário sobre efeitos do uso de agrotóxicos é realizado na Unespar

Palestra sobre Cortina Verde é realizada por promotora de justiça de Campo Mourão – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

Está sendo realizado nesta segunda-feira, no campus de Campo Mourão da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), o “1º Seminário sobre os efeitos do uso dos agrotóxicos na vida e na saúde da população”. O evento tem a parceria do Ministério Público (MP), via Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaema),

O seminário faz parte do projeto “Cortina Verde”, desenvolvido pela promotoria de Meio Ambiente do MP-PR que busca regulamentar e restringir o uso de agrotóxicos por meio de leis municipais.

A programação começou pela manhã com uma feira agroecológica e seguiu durante o dia com quatro palestras, uma mesa-redonda e exibição de vídeos. O encerramento será no período da noite.

O diretor do campus, João Marcos Borges Avelar, disse que a inclusão do debate na esfera universitária se deu pelo aumento do uso de agrotóxico na região. “É um tema que interessa a todos, principalmente em relação à saúde das pessoas, que é o que mais nos interessa neste momento debater: encontrar alternativas para assegurar esse direito básico” diz Avelar.

Ele complementa lembrando que, além dos reflexos na saúde, o uso excessivo de agrotóxico a médio e longo prazo também afetará as exportações brasileiras, visto que muitos dos agrotóxicos utilizados são proibidos em outros países.

AGROTÓXICO NA ÁGUA

Um levantamento divulgado pela Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye baseado em dados do Ministério da Saúde, aponta que entre 2014 e 2017 foram encontrados 27 agrotóxicos na água que abastece Campo Mourão.

Deste total 13 estão acima do limite considerado seguro pela União Europeia e 11 são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Outro dado apresentado no “Diagnóstico Situacional sobre o uso de agrotóxicos e indicadores de morbimortalidade e ambientais da Macrorregião Noroeste”, documento produzido na Oficina do Plano Estadual de Saúde de Populações Expostas aos Agrotóxicos, realizado em  Maringá em 19 de abril de 2018, mostra que a quantidade de agrotóxicos consumida na média 2013-2015 em Campo Mourão é de 664,5 toneladas, equivalente a 10,2 quilos por habitante (Fonte: SIAGRO).

O mesmo relatório indica que o município registrou, em 2014, uma média de 10 a 50 casos de intoxicação aguda por agrotóxicos a cada 100 mil habitantes.

Atualmente a Coordenação Regional da Bacia Hidrográfica do Alto Ivaí – projeto estratégico do MP-PR na área ambiental – instituiu o “Cortina Verde”, solicitando aos municípios da Bacia do Alto Ivaí a criação de leis que proíbam a aplicação dos produtos a menos de 300 metros de postos de saúde, núcleos habitacionais e escolas, de forma a evitar o chamado “efeito deriva”, causado pela difusão dos agrotóxicos para além das áreas específicas nas quais são aplicados. O projeto também propõe um modelo de produção agrícola sem uso ou com utilização reduzida de agrotóxicos.