Eles passaram dos 60, mas não aposentaram as chuteiras

Jogo acontece toda segunda-feira, a partir das 18 horas – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

Estádio Municipal Roberto Brzezinski, toda segunda-feira, 18h. É nesse local, dia e horário, que um grupo que já passou dos 60 anos se reúne para uma partida de futebol com regras bem claras: só entra em campo quem já completou 60 anos. Acima dessa idade, desde que goste de praticar o esporte e tenha vontade, não tem limite de idade.

Tanto é assim que na próxima semana um novo integrante deverá entrar na lista, acredite se quiser, aos 83 anos. Professor Jader Libório D´Avila foi convidado por um amigo na segunda-feira passada para assistir a “pelada” e gostou do que viu.

“Eu costumo jogar no Country Club e no Clube os 30, mas no meio de garotos de 16, 18 anos, aí não tem jeito.  Aqui eu gostei por conta da idade, apenas acima dos 60 anos. Fui convidado por um amigo e vou entrar nesse grupo”, disse ele, que assim que chegou ao estádio já se sentiu em casa, ao reconhecer alguns ex-alunos. “Com certeza será um ambiente bom para se divertir.”

Um dos atletas mais “jovens” do grupo é o pastor André Portes, que acaba de completar 61 anos. Ele se sente privilegiado por jogar no estádio RB. “É uma honra pisar nesse gramado. Toda segunda-feira, sendo possível, eu estou aqui, principalmente pela qualidade de vida. São pessoas mais velhas, mais experientes e que fazem do jogo um momento de descontração. A gente até tenta, mas não consegue correr atrás da bola. Geralmente é jogo equilibrado, com placares de 1 a 1, 2 a 2”, afirma.

Quem coordena o grupo por meio do WhatsApp, marca os jogos e cede bola e uniforme é José Corral Artuzo, que mantém a Arena Society Bola Cheia, ao lado do Comercial Ivaiporã.

Ele conseguiu junto à Fundação de Esportes de Campo Mourão o horário no estádio para reunir os veteranos, que nos demais dias da semana ainda jogam em seu campo society.

Aos 72 anos, Basilio Irineu Lidio é outro que não pendurou a chuteira. Joga desde criança e agora diz sentir orgulho em poder voltar ao estádio. “Joguei muito campeonato amador nesse estádio. Voltar nesse gramado não tem dinheiro que pague, é muito gratificante. Fazia pelo menos 20 anos que não jogava mais, até ter essa oportunidade no meio desse grupo acima dos 60 anos”, revela.

Valdomiro Bognar, aos 65 anos, também não perde um jogo entre os “vovôs da bola”. Quando soube que o grupo era formado apenas por pessoas acima dos 60, já se fez questão de se escalar no time. “Foi uma iniciativa muito louvável e hoje somos em mais de 30 pessoas, um grupo de amigos que joga para se divertir”, elogia.

O jogo é sempre tranquilo, daqueles que dispensa arbitragem, sem impedimento e praticamente sem falta. Quando um cai, mesmo que seja em lance normal, a bola para.

Como também não tem técnico, a lista continua aberta para novos nomes, basta você ter mais 60, se apresentar ao estádio no dia do jogo e se integrar ao grupo.