Ordem ou protesto?

Foram-se mais de 500 anos para que despertássemos do sono da exploração que sublinha nossa história desde o momento em que nos deram espelhos em troca de nossas riquezas. Sem mais forças para apanhar estamos finalmente reagindo. O Brasil está nas ruas para tomar a sua carta de alforria que já foi paga com o dinheiro que tantos corruptos nos tomaram à luz do Sol que sempre brilhou para uma minoria.

Chico Buarque lhes avisou que “amanhã vai ser outro dia” e será mais um dia de manifestações com certeza. Esperamos que sempre maiores. Grandes o suficiente para que nem todo contingente policial possa conter. Agora é a vez do Estado nos assistir, inerte, como ficamos todos esses séculos.

É chegada a hora de termos saúde, educação, infra-estrutura, respeito, dignidade e tudo o que temos direito. Afinal pagamos 500 anos por isso e os 20 centavos têm que ser a última remessa. Agora que o Brasil é nosso vamos demitir mensaleiros, colocar as contas em dia e que os estádios sejam o último abuso que sofremos.

Que não nos assustemos tanto com os atos rotulados de vandalismo. Afinal nossa presença nas ruas só será respeitada pela ameaça que representa aos poderosos. Se este for um momento de revolução não imaginemos que será possível apenas pacificamente. Pacíficos fomos até agora e isso nos custou muito caro.

Tem custado todos os direitos que a Constituição diz que temos. Tem custado as nossas vidas nas filas das UTIs. Tem custado as vidas de tantas vítimas das drogas. Custa para muitos morar na favela. Custa para milhões não ter o que comer. Custa para uma multidão de brasileiros uma vida sem perspectiva de mudança. Se o progresso não vem para todos é hora de quebrar a ordem. Ordem e Progresso para todos.