Volta às aulas não alivia crise para donos de transporte escolar

Poucos alunos deverão ir para a escola nesse início de ano letivo

As aulas foram retomadas nesse início de semana nas escolas particulares e nesta quarta os alunos da rede pública municipal também abrem o ano letivo de 2021, em Campo Mourão, mas de forma remota.

Em meio a pandemia da covid-19, o retorno das aulas não ameniza a crise enfrentada pelas pessoas que trabalham com o transporte escolar e que passaram o ano de 2020 “parados no vermelho”. Pelo contrário, o clima de incerteza continua.

“Pelo que estou sabendo vai ser difícil continuar com transporte escolar, pois tudo está indefinido, ninguém sabe direito o que vai acontecer daqui pra frente”, lamenta Denilson da Silva Peres, que trabalha no transporte de estudantes.

Segundo ele, algumas escolas particulares já voltaram, mas não com 100% de seus alunos. “As faculdades também estão recebendo poucos alunos. As escolas municipais e estaduais também não geram boas expectativas, pois os professores ameaçam greve. A situação está muito complicada para nós”, desabafa.

A mesma situação de incerteza vive Márcia Fatima do Nascimento Américo. No caso dela, a pandemia causou prejuízos em dobro. “Em casa eu e meu marido ficamos desempregados, porque eu trabalho com o micro-ônibus e ele com a van. No ano passado ficamos parados. Temos um grupo de companheiros de trabalho e todos estão sem rumo, cientes que é inviável trabalhar desse jeito, pois com esse sistema hibrido, em que teoricamente as crianças só vão para escola 15 das por mês, os pais não vão querer pagar o mês cheio e os gastos que temos não diminuem”, explica Márcia.

Ela conta que retomou o trabalho na segunda-feira, mas com apenas dois alunos. “Nossa categoria é esquecida, mas mesmo assim estou cheia de esperança.”

Outro que não consegue ver uma luz no fim do túnel é Antonio Santiago Lino, que possui duas vans. Ele trabalhava com o filho, mas com o início da pandemia no ano passado, só ele continuou.

“Meu filho dirigia a van, mas teve que arrumar outro emprego. Agora vou vender a van que ele usava e se as coisas continuarem desse jeito, vou ter que vender a outra também”, disse ele.

Na segunda-feira, ele conta que começou levando alguns alunos para as faculdades, mas admite que não está compensando continuar. “São poucos alunos indo para a faculdade. Sobram vans para o serviço. No meu caso é complicado porque os alunos que transporto são a maioria do Lar Paraná e o bairro não tem escolas particulares. Também levo muitas crianças das creches, que ainda permanecem fechadas. Já cheguei a dispensar dois alunos porque não compensa”, completou.