Violência Infantil na Pandemia: Impactos Sociais

A violência infantil pode ser definida por várias formas: negligência, abuso físico, psicológico ou emocional,adoção forçada, exploração comercial ou sexual a menores de idade. Esse é um problema, infelizmente, recorrente no Brasil e no mundo todo, que pode deixar marcas muito sérias a longo prazo, e inclusive levar até mesmo ao suicídio.

Refletindo sobre essa problemática e pensando na importância do atendimento às crianças vítimas, o Curso de Enfermagem da Faculdade Unicampo promoveu uma live para debater este tema tão relevante, em um cenário pandêmico.

O palestrante foi o Dr. Luciano Matheus Rahal, Promotor de Justiça de Entrância Final, no Ministério Público de Campo Mourão. A situação exige de todos os representantes do sistema de garantia de direitos o conhecimento sobre a rede socioassistencial, para que seja promovido o acolhimento somente em caráter excepcional e, como última medida de proteção, ponderou Dr. Luciano.

Vale ressaltar que entre os diversos tipos de violência,háa negligência, considerada também um indicador negativo, realizada não só pelos pais, mas por qualquer um que possua a guarda da criança, podendo ser amigos, familiares, vizinhos ou professores. De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a maior parte dos abusos acontece dentro do lar da própria criança, praticada por algum membro da família.

Dados divulgados pela Sociedade de Pediatria (SBP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) do ano de 2019, mostram que, diariamente, são notificadas no Brasil uma média de 233 agressões de diferentes tipos (física, psicológica e tortura) contra crianças e adolescentes com idade até 19 anos.  Entretanto,durante o ano de 2020 e 2021, as denúncias de abuso infantil foram reduzidas, e infelizmente, isso pode não ser um bom sinal.

Isso pode significar que, a maioria das queixas eram feitas por profissionais da educação, geralmente da educação básica, que tinham maior contato com as crianças e notavam os sinais. Porém, agora com as escolas fechadas, devido a pandemia do Covid-19, e as vítimas ficando mais em casa, além de estarem mais expostas ao agressor, não têm o apoio escolar.

De tal modo, cresceu a importância da notificação de violência infantil que precisa ser realizada pelo profissional enfermeiro, o qual o promotor relatou que se faz necessário notificar e que seja realizado a denúncia para órgão responsável. Logo, há que se compreender a demanda pela aplicação da medida de proteção de crianças e adolescentes em instituições de acolhimento. Infelizmente, ainda é uma realidade constante.

Vale ressaltar que esta discussão foi promovida por meio de um projeto desenvolvido na disciplina de Urgência e Emergência, que pertence a grade curricular. Logo, osacadêmicos puderam, durante cinco meses, obter diversas experiências, ajudando em seu aprendizado e contribuindo também no crescimento e desenvolvimento social.

Para a ProfessoraAdriana Angela Brito, orientadora do projeto, é uma oportunidade para que aos acadêmicos possam desenvolver a responsabilidade de passar a importância dos enfermeiros na sociedade, principalmente diante do abuso infantil, abordando os cuidados e prevenções precisos.

Lembre-se: qualquer pessoa denunciar casos de violência infantil, pois há várias formas, tal como ligar para o 100 (número que é usado para denúncias de racismo, homofobia e outras violações dos direitos humanos); usar o aplicativo Proteja Brasil; denunciar pela Ouvidoria On-line ou ir direto àsinstituições de proteção a criança, como o Conselho Tutelar, CREAS/CRAS e o Ministério Público.