Tá Sabendo entrevista João Marcos, candidato a diretor da Unespar/Fecilcam
Na edição de hoje o Tá Sabendo entrevista o terceiro candidato à direção da Unespar Fecilcam. João Marcos Borges Avelar é professor do Departamento de Administração da instituição e, assim como Éder Stela e Áurea Viana, está em campanha desde o último sábado até o próximo dia cinco de maio. A eleição acontece no dia sete de maio, quando participam votando professores, agentes universitários e acadêmicos. Confira a entrevista:
Tá Sabendo: Quais são suas principais propostas?
João Marcos: Nós temos ensino, pesquisa e extensão, mas eu vou pontuar aquilo que nós achamos interessante em cada área. Na área de gestão nós vamos focar em três coisas principais: primeiro o processo de tecnologia da informação em todos os setores e departamentos, protocolo eletrônico… Com isso nós poderemos agilizar todos os processos internos, dar uma resposta rápida aos pedidos da comunidade, tanto de estudantes, professores como de comunidade externa. Isso é muito fácil de fazer, basta implementar. Inclusive vai facilitar o acesso de alunos para renovação de matrículas de outras cidades, sem precisar ter que vir até a instituição. É tornar o setor público mais eficiente.
O segundo ponto importante, que eu considero, nós vamos criar o portal da transparência que será no nosso site, com todas as informações de receita e despesa da instituição. Isso é muito importante, afinal a nossa instituição tem uma receita de mais de R$ 15 milhões/ano e a população precisa saber onde está sendo gasto. Não há nada de irregularidades com o que é feito hoje, mas as pessoas não têm acesso a essas informações.
O terceiro ponto: imediatamente iniciaremos a construção do segundo bloco do campus, uma vez que conseguimos R$ 1,7 milhão do governo federal.
O que eu considero mais relevante em aspecto de gestão: iniciada a nossa administração nós vamos fazer um diagnóstico geral participativo. Que significa entrar em contato com todos os setores e departamentos, ouvir as pessoas, ouvir todos os problemas existentes, fazer um plano de ação com isso e executar. Por isso a nossa chapa é participação e ação. A participação mais uma ação efetiva. Não podemos demorar para responder as coisas que são necessárias.
Na questão do ensino, pesquisa e extensão, embora isso esteja muito ligado, nós temos que apontar algumas coisas importantes. No ensino, uma política permanente de qualificação profissional, dando condições para que os professores façam os mestrados, doutorados e pós-doutorados. E isso acontece com uma distribuição de carga horária compatível com a demanda de cada departamento.
Uma reestruturação dos projetos político-pedagógicos dos cursos que implica uma discussão ampla com áreas afins. Um debate permanente para que nós possamos identificar problemas e soluções comuns aos cursos. Isso sempre ligado com o PDI da Unespar.
E também dentro do ensino pontos importantes com relação à permanência do estudante. O ingresso (dos estudantes) nós vamos continuar reduzindo a taxa do vestibular. Mas em favor da permanência é construir o restaurante universitário, a casa do estudante, que vai facilitar. Entrar em parcerias e convênios com municípios para reduzir o custo do transporte escolar dos alunos, porque esses fatores levam à evasão escolar. Muitas pessoas abandonam porque não têm um suporte.
Com a questão também do ensino, um problema muito sério nas licenciaturas é a questão do estágio. Então nós vamos abrir o debate para ver a possibilidade de descentralizar os estágios para que as pessoas possam fazer nas suas cidades. Isso demanda debates, conversas e estar em acordo com os projetos pedagógicos de cada curso.
E uma outra coisa que eu acho fundamental no ensino é uma política de inclusão para pessoas que têm necessidades especiais de educação: cegos, surdos, cadeirantes, enfim. A instituição já realiza algumas coisas, mas isso tem que ser melhorado bastante.
Também no ensino essa política permanente de qualificação de professores é um ponto principal. E quando nós falamos de qualificação de professores envolve também uma política para agentes universitários. E também ainda no ensino uma política para atender aos professores colaboradores, temporários. Hoje nós não temos uma política que atenda para melhorar o trabalho dessas pessoas com relação a dar uma infra-estrutura melhor, dar mais condições de carga horária para que eles possam trabalhar sem ficar sobrecarregados.
No campo da pesquisa e extensão um dos pontos fundamentais é a consolidação do mestrado. Já existe um mestrado interdisciplinar em andamento, tramitando na Capes. Nós temos que aprová-lo porque este mestrado é elaborado por um conjunto de professores. O meu vice, professor Marcos Bovo inclusive participa dessa equipe. Caso isso não aconteça nós temos que elaborar um novo projeto, mas em dois anos implementar um mestrado próprio, nosso, aqui.
A pós graduação Latu Sensu nós temos que tornar gratuita em outras áreas, nós só temos em Geografia especialização gratuita.
E temos que incentivar a iniciação científica, grupos de pesquisa e a comunicação científica porque apenas com publicação científica em periódicos reconhecidos que nós podemos conseguir essa aprovação do mestrado. Uma coisa está ligada a outra. E quando isso melhora na pesquisa também se melhora no ensino. Aumentar as bolsas de estudo para que os estudantes possam ter algum recurso para fazer a pesquisa. Isso é fundamental.
E na extensão nós temos duas frentes prioritárias. Uma delas relaciona-se à questão cultural. Então promover eventos culturais, melhorar aquilo que tem, por exemplo, o festival de música, que é um evento já que está na sétima edição. O coral da Fecilcam tem que ser ampliado. O Cine Fecilcam, que é um projeto muito interessante, tem que ser ampliado. Criar o grupo de teatro da Fecilcam, que nós não temos ainda.
Enfim fazer todo esse processo porque a Universidade não é apenas da formação profissional, mas da formação humana acima de tudo. Atividades para a terceira idade, porque essas pessoas que dedicaram uma vida de trabalho para a comunidade e hoje não têm nenhum espaço para combater esse espírito de depressão que às vezes se abate nessa idade.
O outro ponto da extensão de muita importância refere-se ao desenvolvimento regional. Então nós desenvolveremos políticas para o desenvolvimento regional, com formação de cooperativas populares ligada à economia solidária; parcerias com entidades de classe, associações comerciais e industriais para fomentar ações de desenvolvimento regional. Mas sempre com o compromisso de atender ao social, não ao econômico. Nós não podemos, em hipótese alguma, utilizar recursos públicos para interesses privados.
Tá Sabendo: Você tem recebido alguma reivindicação durante a campanha?
João Marcos: Na verdade o nosso plano contempla quase todas as reivindicações porque o que nós ouvimos muito são reclamações sobre o ensino; da sobrecarga dos professores (carga horária limitada dos professores para muitas atividades como ensino, pesquisa e extensão), da infra-estrutura dos laboratórios de informática e químicos e também os alunos reclamam bastante da falta de opções culturais. O contato com as salas de aula apenas validou propostas que nós, em linhas gerais, já temos.
Tá Sabendo: Em sua opinião, o novo diretor deve concluir que percentual do novo campus?
João Marcos: O novo diretor, em quatro anos, não consegue fazer mais que dois ou três blocos do campus. Eu acredito que isso vai representar em torno de 25% a 30% do campus. Em quatro anos nós não conseguimos fazer tudo.
Tá Sabendo: Uma breve explanação sobre sua trajetória na instituição:
João Marcos: Entrei na faculdade no curso de Administração em 1985, me formei em 1989. Nesse período eu fui presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Nesse período o DCE conseguiu estadualizar a Fecilcam, que era particular. Concluído o curso eu fiz uma especialização Latu Sensu na Fecilcam também. Terminei ela em 99. No ano de 2000 eu ingressei como professor colaborador e fiquei cinco anos assim. Em 2007 fui professor efetivo. Depois disso fui coordenador de curso de Administração e fui diretor administrativo da Fecilcam. Também fui coordenador geral de estágios.
Atualmente sou diretor do Planejamento e Orçamento e também sou presidente da Comissão de Transferência, que presta contas junto ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Leciono no curso de Administração, em várias disciplinas, oriento alunos na iniciação científica e conclui meu mestrado em Desenvolvimento Regional também. Então estou atuando profissionalmente há treze anos na Fecilcam.
Tá Sabendo: Mais alguma consideração?
João Marcos: O candidato sempre pede voto e eu não poderia deixar de fazê-lo também. Por que votar em nossa chapa? Porque somos duas pessoas que nos consideramos preparados. Não sabemos tudo. Ninguém sabe tudo. Mas o professor Marcos Bovo, é um doutor na área de Geografia, entende muito de ensino. Nós entendemos de ensino, pesquisa e extensão, mas também de gestão e nós temos uma característica participativa, democrática, de total abertura e as pessoas que nos conhecem sabem disso. Então nós pedimos o voto na nossa chapa no dia 7 de maio.