Sindicato diz que represálias do Governo aumentam motivação de professores para greve geral

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O anúncio do Governo do Paraná de um suposto cerco policial no bairro Centro Cívico e do desconto do salário dos grevistas motiva ainda mais os professores da rede estadual de ensino, que iniciam a retomada da paralisação nesta segunda-feira (26). É o que garante Marlei Fernandes, secretária de Finanças da App-Sindicato. “Mais uma vez estamos defendendo os nossos direitos. Estaremos nas escolas pela manhã, mostrando que o movimento é legitimo e constitucional e pedindo que os pais voltem para casa com os alunos. Qualquer ameaça causa ainda mais motivação”, descreveu Marlei.

O principal motivo para a paralisação é a votação do projeto de lei que promove mudanças no Regime Próprio de Previdência Social do Paraná. “O governo está descumprindo com aquilo que prometeu durante a nossa última manifestação. Nós entendemos que o que eles querem é apenas aliviar o caixa prejudicando os servidores”, explicou a secretária de Finanças.

O projeto do governo propõe que cerca de 30 mil beneficiários com 73 anos ou mais sejam transferidos do Fundo Financeiro para o Fundo Previdenciário, que é constituído a partir de contribuições dos servidores. “Nós não admitimos que o governo mexa na aposentadoria dos funcionários desse jeito. Por isso, decidimos paralisar novamente as atividades”, completou Marlei.

Vamos em paz

Em entrevista, a sindicalista garantiu que o intuito dos manifestantes é protestar sem violência. “Nós queremos a categoria lá com tranquilidade e paz, porque não queremos nenhum confronto. Ficamos ali por 30 dias em fevereiro com muita calma e nada aconteceu, com exceção ao momento da invasão da Alep (Assembleia Legislativa)”, relembrou ela, negando que a App tem relação com mensagens, que estão circulando na rede social Facebook, que pedem aos professores que usem máscaras e luvas de proteção na região do Centro Cívico.

Cerco policial

Com relação a possibilidade de cerco policial, neste domingo a movimentação era normal e sem a presença de efetivo acima do normal. Apesar disso, a Polícia Militar do Paraná convocou mil policiais para proteger a Assembleia Legislativa (Alep) durante a votação dos projetos de ajuste fiscal que ocorre nesta semana. Segundo a corporação, o efetivo está de prontidão em casa e só sairá às ruas se for necessário.

Nota do governo

Em nota, o  governo informou que já entrou na Justiça pedindo que a greve seja declarada abusiva e ilegal. Segundo o órgão estadual, o projeto da previdência está em discussão há mais de 50 dias e todos os itens são acordados com o funcionalismo público. Segue texto na íntegra:

O governo determinou hoje que as eventuais faltas a partir de segunda-feira, dia 27, de professores e funcionários da Educação sejam descontadas em folha de pagamento. Diretores e chefes de núcleo estão orientados a fazer as anotações e encaminhar os dados à Secretaria de Estado da Educação do Paraná. A nova paralisação vai comprometer gravemente o cronograma de estudos e, consequentemente, o rendimento escolar dos alunos, já que o calendário escolar teve que ser refeito uma vez.

Cabe ressaltar que a Procuradoria Geral do Estado já ingressou com medidas judiciais para decretar a greve ilegal e abusiva. Ao contrário do que ocorreu durante a greve do início deste ano letivo, a partir de agora serão anotadas as faltas para posterior desconto salarial.

Apontado como um dos principais motivos da retomada da paralisação, o projeto de lei 252/2015, que trata da revisão do plano de custeio do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Paraná, foi amplamente debatido durante cinquenta dias. Ficou claro que o projeto não altera em nada o pagamento de proventos a aposentados e pensionistas do Estado. Não há mais nada que possa ser dito contra a intenção do governo estadual de proteger o sistema previdenciário e equilibrar o caixa do Tesouro Estadual.