Servidores passam a noite no plenário da Alep e só saem quando governo retirar projeto

professores

Os manifestantes que se reuniam em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) desde as primeiras horas do dia decidiram invadir e ocupar o prédio no final da tarde desta terça-feira (10). A ação aconteceu logo após a aprovação de Comissão Geral, o chamado “tratoraço”, para deliberar sobre o pacote de redução de gastos proposto pelo Governo do Estado. Funcionários públicos, em especial os professores, são contra o projeto devido a cortes que afetam diretamente os servidores.

Eles passaram a noite dentro do plenário da Assembleia e garantem que só sairão de lá após o governo retirar os projetos. Uma reunião de líderes está marcada para as 10h de hoje. O presidente Ademar Traiano (PSDB) informou que a ideia é retomar na tarde desta quarta-feira (11), mas isso vai depender da desocupação do plenário.

A invasão aconteceu após a aprovação por 34 votos a 19 da comissão geral, que acelera a votação dos projetos. Os manifestantes que estavam do lado de fora derrubaram a cerca e tomaram o prédio. Imediatamente o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), decidiu suspender a sessão. Os deputados tiveram que correr para uma sala anexa e ficaram lá, acuados, por cerca de 20 minutos, até que a Polícia Militar conseguiu garantir a saída deles em segurança.

Dentro do plenário, os manifestantes cantaram o hino nacional e puxaram o grito de “retira, retira” ao projeto. Alguns objetos do imobiliários foram danificados.

A APP Sindicato denuncia ainda que o ar condicionado da Assembleia foi desligado para forçar a saída dos manifestantes, que temem que a sessão extraordinária possa ser retomada.

Sessão quente

A sessão na Assembleia foi conturbada e vários deputados estaduais foram até a tribuna para pedir a retirada do projeto. O líder do governador, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), foi o único a se pronunciar favoravelmente ao projeto. Debaixo de vaias, ele garantiu ainda que os pontos mais polêmicos do projeto seriam mantidos.

Nereu Moura (PMDB) e o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), chegaram a apontar irregularidades no projeto em comissão geral. “Se esse projeto for aprovado hoje, vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse o petista.

Nas galerias da Assembleia, cerca de 400 servidores públicos acompanharam a sessão.

Traiano já marcou uma reunião para amanhã com as lideranças para decidir como continuar a sessão.

“Pacotaço”

O “pacotaço”, como passou a ser chamado, prevê a redução de custos do Estado. Apesar de mudanças realizadas entre segunda e terça-feira, os manifestantes garantem que as medidas prejudicam muito o servidorismo público.

Ao todo, são 13 pontos divididos em dois projetos de lei para aumentar a receita e diminuir os gastos do estado. Além disso, o governo anuncia um contingenciamento de R$ 11 bilhões – o que representa aproximadamente 25% do orçamento de 2015.

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