Professores de Medicina se reúnem com médicos das UBS locais

O objetivo de reuniões como essa é definir a inserção dos estudantes nas UBS desde os primeiros dias de aula.
Reuniram-se nessa quinta-feira (27), na Faculdade Integrado de Campo Mourão, médicos representantes das Unidades Básica de Saúde (UBS) local e professores do curso de Medicina. O objetivo da reunião foi discutir a inserção dos estudantes nas UBS desde os primeiros dias de aula. Isso porque, apesar de nos primeiros anos os acadêmicos atuarem diretamente com agentes de saúde e enfermeiros, será necessária a validação dos médicos para verificar como foi o desenvolvimento das atividades.
De acordo com o professor responsável pela disciplina de Integração Ensino em Saúde e Comunidade (IESC), Marco Aurélio Marangoni, reuniões como essa acontecem há dois anos e têm o objetivo, primeiramente, de conhecer a estrutura do sistema de saúde local para identificar como inserir e otimizar o trabalho do estudante nessas unidades. “Para, então, inseri-lo de maneira permanente no serviço”, explica. Segundo ele, a inserção dos acadêmicos será gradativa, com diferentes complexidades. “Ele não vai ficar numa sala de aula para depois ter contato, quanto maior o aprendizado do estudante, maior a complexidade das atividades desenvolvidas por ele”, assegura.
O médico Danilo Leão Sousa, um dos representantes das UBS, lembra que, de acordo com as novas diretrizes curriculares de 2014, o graduado em Medicina deve ter uma formação geral, humanizada, crítica, reflexiva e ética. Para isso, deve frequentar as UBS já no início do curso. “Receber estes estudantes de Medicina desde o primeiro ano de faculdade nas unidades básicas vai ajudar em ações de promoção e prevenção de saúde para a população de Campo Mourão”, garante. “Também é uma grande oportunidade de mostrar a realidade da atenção básica a estes futuros colegas de profissão, isso porque muitos médicos hoje formados não vivenciaram esta experiência em atenção básica e, de certa forma, carregam uma visão distorcida do papel do clínico geral enquanto médico da família”, pontua Danilo.
O coordenador do curso, professor doutor Edson Michalkiewicz, considera importante definir as atividades que os estudantes irão desenvolver nas UBS para que os funcionários do local possam orientá-los, sem a necessidade de um acompanhamento constante. “Para isso, é preciso identificar, dentro da equipe, quem tem disposição de auxiliar para que possa delegar uma tarefa e deixar o próprio acadêmico desenvolvê-la”, complementa o coordenador. “Isso porque quanto menos interferir ou causar desconforto nos profissionais da UBS melhor”, acredita Edson. Segundo ele, é importante ter um parecer dos profissionais sobre as atividades desenvolvidas e, para isso, serão criados mecanismos para orientação e certificação da prática profissional dos estudantes, além de instrumentos para registro de eventos críticos que venham a acontecer.
Aprender fazendo
Uma das preocupações dos professores é que, com a alta tecnologia do curso, os candidatos às vagas acreditem que as práticas sejam apenas em ambientes simulados. “Na verdade, a função desses ambientes é diminuir os riscos em local controlado, seguro, sem expor ninguém, para que depois se atenda, então, a comunidade”, explica Marco Aurélio. Ele lembra que a inserção nos serviços públicos de saúde ocorre desde os primeiros dias de aula. “Acontece de maneira paralela, e a complexidade dos atendimentos aumenta de acordo com o nível de aprendizado dos estudantes”, finaliza.