Prejudicados pelo IESDE/Vizivali iniciam curso para receber diplomas
Na tarde deste sábado (05) aconteceu a primeira aula para os 35 mil professores, em todo o estado do Paraná, que foram prejudicados pelo caso IESDE/Vizivali. Eles se inscreveram para fazer a complementação de 1.300 horas para estarem em condições de receber os seus diplomas do curso de pedagogia a serem emitidos pelas universidades estaduais do Paraná. Depois de muita demora, enfim puderam iniciar as aulas. A partir de hoje e pelos próximos doze meses, estarão se habilitando a receber os seus certificados.
Para os professores da região de Campo Mourão, o pólo tem sede em Engenheiro Beltrão. Lá os 290 professores que se inscreveram receberão suporte e orientação. Eles vêm das cidades de Campo Mourão, Araruna, Barbosa Ferraz, Corumbataí do Sul, Engenheiro Beltrão, Fênix, Luisiana, Peabiru, Quinta do Sol, São João do Ivaí e Terra Boa.
Início das aulas
A professora Maria Aparecida Madureira Chaves, que está coordenando o Pólo de Engenheiro Beltrão, explica que os 290 participantes estão divididos em 3 turmas para facilitar o trabalho. Cada uma delas terá uma tutora, nomeada pela UEM,para orientar e auxiliar os professores/alunos.
A coordenadora informa, ainda, que todas as aulas serão por “web-conferência” e serão ministradas por especialistas em cada uma das disciplinas, As imagens serão geradas diretamente da UEM, em Maringá, mas as provas serão presenciais. “As aulas serão bem dinâmicas e através das plataformas criadas para cada aluno eles poderão, pela internet, estar interagindo com os professores e tirando as suas dúvidas”, comenta Maria Aparecida.
A complementação terá duração aproximada de um ano. “A princípio as aulas serão mensais, mas a partir do próximo ano passarão a acontecer mais assiduamente, porque temos a carga horária a ser cumprida e muito conteúdo para passar aos alunos” esclarece a coordenadora. “As presença dos alunos é muito importante e, mesmo com as aulas acontecendo por web-conferência eles terão a oportunidade de solucionar suas dúvidas com os seus tutores”, completa.
Entenda o caso
Desde 2005 os professores estavam aguardando uma solução para o seu caso, que ficou conhecido como o escândalo IESDE/Vizivali. Nesse período, sem os certificados, muitos professores foram barrados em concursos, não conquistaram elevação de nível e, em alguns casos, foram até exonerados. Tudo em razão dos diplomas não terem sido emitidos, já que o IESDE encerrou suas atividades. Muitos professores desistiram de esperar uma solução para o caso e procuraram outras faculdades para completarem a sua formação.
Estima-se que mais de sessenta mil professores participaram e pagaram pelos cursos de capacitação oferecidos pelo IESDE/VIZIVALI, mas nunca receberam os seus certificados. O programa foi ofertado entre 2003 e 2005, com o apoio do governo estadual, e tinha duração de dois anos. Do total apenas 35 mil apresentaram a documentação exigida e se matricularam para participar da complementação.
A professora Adriana Donatti é uma das que não desistiram. Ela estava grávida quando terminou o curso de capacitação do IESDE/Vizivali, em 2004. “Na época aconteceu até uma festa de colação de grau, mas os diplomas jamais foram entregues”, lembra. Hoje, sua filha está com 7 anos. “Mesmo com toda essa demora estou feliz e aliviada. Vou poder completar meu curso e receber o sonhado diploma para seguir a minha carreira de professor” comenta Adriana ao entrar na sala de aulas do Pólo de Engenheiro Beltrão. “Vamos ter de organizar outra festa de formatura, mas tudo bem. Espero que desta vez seja para valer!”, completa.
Solução
Para uma solução definitiva no IESDE/Vizivali, o secretário da educação e vice-governador do Paraná, Flávio Arns conseguiu a aprovação técnica e legal junto ao Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional de Educação (CNE), Ministério Público Estadual, Procuradoria Geral do Estado e Tribunal de Contas do Estado para consolidar os encaminhamentos de todo o processo de validação dos diplomas, quando foi indicada essa complementação iniciada a partir de hoje.
Os professores nessa situação foram, então, divididos entre 45 pólos espalhados por todo o estado do Paraná. Esses pólos estão sendo supervisionados e administrados por instituições de ensino superior estaduais. Entre elas, UEL, UEM, Unicentro, UEPG (com apoio da Uenp e Unioeste).
(Ari Mendonça)