Greve continua: governo apresenta propostas que serão analisadas neste sábado
No segundo dia de paralisação dos professores da rede estadual, o governo apresentou novas propostas à categoria. A greve, no entanto, será mantida nesta sexta-feira (25). Somente no sábado, em uma assembleia geral, é que os professores decidirão se aceitam a oferta do governo estadual ou não.
Em reunião que durou mais de cinco horas ontem com membros do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), o governo estadual propôs uma compensação financeira para suprir a quantidade de horas-atividade reivindicadas pelo sindicato. O pagamento seria efetuado parcelado entre os meses de agosto a dezembro.
Segundo a proposta, a partir de 2015, a hora-atividade passaria para os 33% do total do tempo do professor na escola – índice reivindicado pela categoria. Hoje, os professores têm 30% de hora-atividade – que é o período em que os docentes não entram em aula e se dedicam à formação continuada, correção de provas e planejamento de aulas. O sindicato afirma que para cada 20 horas semanais de trabalho seriam necessários sete horas de hora-atividade. Hoje são seis horas.
Por outro lado, o governo estadual propôs, segundo a assessoria de imprensa, que o aumento salarial da categoria seja mantido conforme a inflação – em torno de 6%. A categoria cobra 8,32% de reajuste, conforme havia sido estipulado pelo Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN). O governo alega que o Paraná paga atualmente R$ 3.005,94 mensais ao professor que atua 40 horas semanais, o que é 70% a mais que o piso nacional.
Escolas fechadas
Ontem, no segundo dia da paralisação, o APP-Sindicato estimou que 80% dos 73 mil professores do estado tenham cruzado os braços.
Já a Secretaria de Estado da Educação (Seed) divulgou uma nota no fim da tarde de ontem apontando que apenas 15,9% das 2.149 escolas estaduais paralisaram totalmente as atividades; 60,1% das unidades da rede estadual tiveram atendimento parcial; e 24% dos colégios funcionaram normalmente.
Em nota, a Seed explicou que as escolas estaduais devem ficar abertas para receber os alunos. Os professores que não aderirem à paralisação organizada pelo sindicato da categoria precisam ter condições de trabalhar normalmente, independentemente do número de alunos presentes, para que possa ser considerada a carga horária ofertada ao aluno e cumprida pelo professor. “Os Núcleos Regionais de Educação receberam novos relatos sobre professores que queriam trabalhar e foram impedidos de entrar nos colégios por manifestantes. Os casos serão apurados pelas ouvidorias dos núcleos”, afirmou a Seed em nota.
O APP-Sindicato rebateu a informação, afirmando que recebe “denúncias de educadores sobre ações dos Núcleos Regionais de Educação, que continuam encaminhando um documento para as escolas, ameaçando com a rescisão de contrato para os professores PSS [regime de vagas temporárias] que participam da greve e aqueles que estão em estágio probatório”.