Escola Técnica Educere capacita jovens e fomenta o empreendedorismo
A Escola Técnica mantida pela Fundação Educere – Pesquisa e Desenvolvimento, de Campo Mourão, é totalmente gratuita e informal, adota uma metodologia diferente da tradicional e está em atividade já há 15 anos. Mais de 300 jovens na faixa de 14 a 17 anos já foram atendidos e os resultados alcançados chamam a atenção sob os mais diferentes aspectos.
Os alunos saem da instituição não apenas com uma perspectiva de emprego, mas também de empregos mais qualificados e – por consequência – com melhores remunerações. Outro diferencial é o forte estímulo ao desenvolvimento de novos produtos e ao empreendedorismo. Também sob esse aspecto os resultados são altamente positivos. Vários dos alunos egressos da escola hoje são empresários de destaque, inclusive fabricado produtos e equipamentos sem similar no Brasil, comercializados para todo o território nacional.
Fundada em 1998, a escola foi idealizada para ser um espaço onde os alunos aprendessem por meio de desafios práticos e de forma completamente autônoma a desenvolver novos produtos ou seu espírito empreendedor. A iniciativa foi do industrial mourãoense Ater Cristófoli, fundador e sócio proprietário da Cristófoli Biossegurança (líder de mercado de autoclaves de mesa no país e que, além de uma indústria na cidade, possui outra indústria na China). Atualmente ele ocupa também o cargo de presidente do conselho deliberativo da instituição.
A Escola Técnica foi a primeira linha de atuação da Fundação Educere, que atualmente também conta com uma Incubadora de Empresas e um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento.
A ESCOLA
São abertas 30 vagas por ano na escola e as e aulas acontecem de segunda a sexta-feira (das 14 às 18 horas), ao longo de um ano. Eletrônica Básica e Desenho Mecânico Industrial são as disciplinas centrais do curso. Mas o programa também inclui disciplinas e programas de apoio, como Introdução ao Gerenciamento de Projetos, marketing, palestras sobre empreendedorismo, educação financeira e projetos de produtos e equipamentos. Ao longo do ano são também organizadas excursões para as principais feiras do setor de saúde, com o objetivo de aproximar os alunos das principais tendências da área.
Uma das exigências é que o jovem continue a frequentar a escola tradicional e a Fundação Educere acompanha, inclusive, as notas alcançadas pelos seus alunos no ensino regular. No caso de reprovação na escola tradicional, o aluno é desligado da Fundação Educere.
Eduardo Akira Azuma, que é um dos diretores da Fundação Educere, ressalta que a ligação e a proximidade entre a escola e o setor produtivo ocasionam algumas peculiaridades em relação a escola tradicional: “A principal delas é que os conteúdos e as disciplinas podem ser oferecidos de acordo com as necessidades das empresas, havendo portanto uma estreita ligação entre o conteúdo estudado e a real demanda do setor produtivo”, explica.
SELEÇÃO
O acesso de alunos a Escola Técnica Educere é feito mediante seleção realizada por uma equipe multidisciplinar de colaboradores, que acompanha desde o início as atividades da instituição. Selecionar os alunos com perfil para atuação na indústria de base tecnológica, com espírito empreendedor – mas que não possuem oportunidade para demonstrar e aplicar o seu talento – é o principal objetivo.
Para participar da seleção, o interessado deve ter média acima de 7,0 no ensino regular. Já a seleção conta com prova de conhecimentos gerais, redação, dinâmica de grupo e entrevista. Eduardo Akira Azuma ainda salienta que as seleções costumam ser o facilitador de todo o andamento da escola, contribuindo sobremaneira para que não exista qualquer espécie de controle de frequência. Ele cita o educador Rubem Alves: “há escolas que são gaiolas, há escolas que são asas”.
As avaliações são práticas e o reconhecimento da metodologia vem através da procura e da satisfação das empresas que contratam alunos. Outro ponto a destacar é que a evasão das salas de aula na instituição é menor do que a verificada na escola tradicional. Alunos de diferentes idades frequentam a mesma sala de aula. “Além de incentivar um sistema de competição entre os alunos, mantém-se uma estrutura de cooperação. Os alunos que detém alguma experiência repassam para os demais, sem a exclusão da competição e a valorização do mérito”, explica o diretor.
Dez professores voluntários, das mais variadas titulações e experiências, oriundos das empresas que compõem o sistema de incubação da Fundação Educere, atuam na escola técnica. Além de reduzir os custos de manutenção da escola, sem perda na qualidade de ensino, a medida coloca em contato direto os alunos com empresários e profissionais.
CRIAÇÃO
Na terceira e última etapa do curso, a turma é dividida em grupos para que os alunos desenvolvam produtos e equipamentos no Centro de P & D da instituição. Cada grupo fica responsável pelo desenvolvimento de um projeto. O objetivo é que o aluno coloque em prática e exercite a criatividade. No final do curso, os alunos apresentam suas criações aos professores, empresários e investidores locais.
Os expressivos resultados alcançados pela Escola Técnica da Fundação Educere são facilmente constados. Boa parte dos alunos que passaram pela escola trabalha atualmente em atividades ligadas à área de pesquisa e desenvolvimento. Um exemplo: 35 por cento dos colaboradores lotados no Departamento de Engenharia da Cristófoli Biossegurança são egressos da escola. Outra empresa local que fabrica equipamentos e produtos para a área de Saúde – a Saubern – possui em seu departamento de P & D cerca de 65 por cento de colaboradores formados pela Fundação Educere.
Em torno de 30 por centro das empresas originadas na incubadora que compõem a estrutura da Fundação Educere têm no seu quadro societário alunos egressos da escola técnica. Um caso paradigmático, inclusive como roteiro de percurso entre todos os setores da instituição, é a empresa Saubern, que foi fundada por alunos da entidade, quando tinham entre 16 e 23 anos. Eles desenvolveram o principal equipamento produzido pela empresa – uma Estação Reprocessadora de Filtros de Hemodiálise – no Centro de P & D da instituição e montaram a própria empresa. O equipamento não tem similar no país e o Quality 1, como foi denominado, foi finalista do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2006 – Região Sul.
Cerca de 90 por cento dos custos fixos da Escola Técnica da Fundação Educere são custeados atualmente pela empresa Cristófoli Biossegurança. O restante é diluído entre as empresas incubadas e graduadas pelo sistema