Conccepar: minicurso aborda a importância do controle biológico para redução de agrotóxicos
Durante esta semana, a Faculdade Integrado de Campo Mourão está realizando o VI Congresso Científico da Região Centro-Ocidental do Paraná (Conccepar) e na noite desta terça-feira, 20, os alunos de Ciências Biológicas assistiram ao minicurso de Controle Biológico ministrado pela bióloga Angelívia Gregório. Serão mais de 80 minicursos realizados até o final da semana.
A bióloga explica que controle biológico é a prática de regulação do número de plantas e animais invasores ou maléficos através da utilização de inimigos naturais. Mestranda na área, Angelívia conta que sua pesquisa centra-se na utilização do controle biológico na agricultura. “É possível controlar as pragas que atingem a agricultura com produtos naturais, eliminando ou diminuindo consideravelmente a quantidade de agrotóxicos”, diz.
Segundo ela, o controle biológico começou a ser estudando no Brasil apenas na década de 1950 e essa introdução tardia da prática no país ajuda a explicar porque o agrotóxico é tão usado no país. Vários fatores contribuem para a resistência dos agricultores ao controle biológico, uma vez que ele é até mais barato do que o agrotóxico. “O produto biológico age especificamente, ou seja, cada produto vai agir para uma praga específica. Isso é bom porque os produtos não vão matar micro-organismos benéficos, mas o agricultor quer praticidade”. Outro fator é que não há no mercado soluções prontas e o agricultor vai precisar preparar o produto antes de aplicar.
Angelívia também ressaltou aos acadêmicos o modo como o trabalho é feito. “Estudamos tudo sobre o patógeno, para entender como ele é e o que poderá funcionar com ele”, conta. Depois disso são feitos diversos testes para o desenvolvimento do produto biológico. “Estudar o patógeno explica, por exemplo, porque ocorre o vazio sanitário na soja, pois foi descoberto o ciclo de vida da ferrugem (praga que ataca a soja) e que se plantar entre maio e agosto haverá a contaminação e perca da cultura”, exemplifica a bióloga.
Durante o minicurso os estudantes puderam conhecer as pragas dentro de lâminas e aprenderam na prática como se utilizar a Câmara de Neubauer, instrumento que mede a quantidade de células e estruturas em uma amostra.
