Comunidade acadêmica quer que a reitoria da Unespar permaneça em Curitiba
Representantes da comunidade acadêmica da Universidade Estadual do Paraná (Unespar/Fecilcam) e lideranças regionais se reuniram em plenária organizada pela Sindunespar (Seção Sindical dos Docentes da Unespar câmpus Paranaguá) na noite de quinta-feira, 23. No anfiteatro da instituição discutiram sobre a importância da legitimidade da autonomia universitária. O objetivo é unir forças políticas e sociais no enfrentamento, principalmente, no que se refere à sede da reitoria.
O diretor da Unespar/Fecilcam, professor Eder Rogério Stela, participou da plenária quando fez um relato histórico sobre o processo de formação da universidade, iniciado ainda na década de 90. Em sua fala, enfatizou os entraves enfrentados ao longo dos anos que dificultaram a constituição da instituição e reforçou a necessidade de respeitar o Conselho Universitário.
Entre as autoridades externas estava o vice-presidente da Comcam e prefeito de Peabiru, Claudinei Minchio. Na oportunidade estendeu apoio para a comunidade universitária e lembrou das lutas travadas ainda na época de universitário. “Não podemos retroceder. A universidade dá suporte para a inteligência. Em São Paulo existem modelos de universidade multicampi com reitoria na capital. Dentro da Comcam, lutarei para dar apoio e respaldo ao Conselho Universitário”, disse.
Quem também prestigiou a plenária foi o ex-prefeito, Nelson Tureck. Ele lembrou o pedido feito ao secretário de estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para que Campo Mourão sediasse a reitoria. Porém, entendeu a decisão do Conselho Universitário (COU). No ato, representando a deputada estadual Marla Tureck, enfatizou que se existe a autonomia universitária ela deve ser cumprida e respeitada.
Diante do cenário de enfrentamento criado entre as unidades, desaprovando a decisão do governador em escolher Paranavaí para sediar a reitoria, a diretora de formação da Sindunespar, Mary Falcão, salienta que pode se considerar a existência de fato e de direito da Unespar. “A comunidade não aceitou esse engodo, no campo político, de que não existimos legalmente. Há um comentário de que a universidade é cara para o governo, mas ela só se torna cara se não provocar mudanças e interferências na sociedade”, apontou ressaltando a importância dos apoios.
Pelo mandato da vereadora, professora Vilma Terezinha (PT), o assessor parlamentar tornou público o requerimento apresentado em março, aprovado pelos vereadores, que pede ao governo esclarecimentos sobre os motivos pelos quais levaram a decidir por Paranavaí para reitoria da Unespar e não Curitiba.
As plenárias foram iniciadas, na quarta-feira, e os principais campi da Unespar estão participando. Os primeiros foram em Curitiba (FAP) e Paranaguá (Fafipar), seguidos por Apucarana (Fecea) e hoje será a vez de União da Vitória (Fafiuv).
Mobilização – Acadêmicos e professores, bem como outras lideranças e os conselheiros universitários também contribuíram com as discussões da plenária. A professora, Áurea Viana, falou sobre a contradição do governo do estado em alguns encaminhamentos realizados durante o processo de constituição da universidade.
Ao final, foram elaboradas algumas ações de mobilização. Uma delas será na próxima segunda-feira, 27, às 21 horas. A comunidade acadêmica promoverá o enterro simbólico da autonomia universitária que está sendo desrespeitada pelo governo. Outro pedido é para que a Comcam elabore uma carta de apoio aos anseios da Unespar.
Em Curitiba, os acadêmicos da Unespar/FAP estão organizados para mobilizações culturais pela cidade. Além disso, planejam acompanhar, na Assembleia Legislativa, a votação do projeto de lei que trata sobre a reitoria.