Áurea Viana, candidata a direção da Unespar/Fecilcam, é a entrevistada de hoje

O Tá Sabendo prossegue com a série de entrevistas dos candidatos a diretor da Unespar/Fecilcam. O processo eleitoral teve início no último sábado com o período de campanha que segue até o dia cinco de maio para a eleição que acontece no dia sete do mesmo mês. Ontem a reportagem publicou entrevista do candidato Éder Stela. A entrevistada de hoje é a professora de Geografia, Áurea Viana, que tem como candidato a vice o professor Frank Mezzomo. Confira a entrevista:

Tá Sabendo: Quais são as suas principais propostas?
Áurea: São inúmeras propostas que nós estamos fazendo para a nossa Unespar/Fecilcam. Uma delas é relativa a questão de ensino. Nós queremos atuar fortemente nos cursos de nota Enade baixa, queremos atuar nas disciplinas que têm alto índice de reprovação e queremos propor várias políticas para a permanência dos nossos estudantes. Uma delas é relativa ao restaurante universitário e também ao nosso alojamento para os estudantes. Nós queremos buscar recursos para ampliação de bolsas. Nós temos programas de bolsa aqui, temos o Pibid (Projeto de Iniciação à Docência); o Pic (Projeto de Iniciação Científica); Proex (Programa de Excelência Acadêmica), que é um programa que nós estamos buscando recursos e respondendo chamada; também estamos buscando o Pet (Programa de Educação Tutorial), que é outro programa do Governo Federal e o Universidade Sem Fronteiras.

Enfim dentro da universidade é possível que nós captemos mais recursos para
ampliação dessas bolsas para os nossos estudantes. É uma forma de permanência dos nossos estudantes, porque a maioria dos nossos estudantes é da classe trabalhadora, que muitas vezes não têm trabalho e precisam se manter na universidade.

Também pretendemos abrir novos cursos, dialogando com a comunidade interna e externa. Isso é muito importante para o desenvolvimento da nossa região. E agora já estamos implantando o primeiro mestrado, que será aprovado hoje pelo COU (Conselho Universitário), órgão máximo da universidade, inclusive meu vice e eu fazemos parte. São sete representantes de todas as unidades. E hoje está sendo apresentada essa proposta do primeiro mestrado. Meu vice é o coordenador dessa proposta e está a defendendo hoje. E nossa proposta é ter no mínimo mais dois programas de mestrado. Por que isso é possível? Porque foi investido muito na formação de professores nos últimos anos. Nós temos hoje quase 70 professores concluindo seus doutorados.

Um outro ponto fundamental para alavancar mesmo a universidade é a internacionalização. Nós pretendemos captar recursos do Governo Federal, via um programa chamado ‘Ciência sem Fronteiras’, que possibilita que nossos estudantes vão para outras universidades fora do país. E, para isso, queremos preparar nossos estudantes. Queremos que eles tenham domínio de mais uma língua para fazer esses intercâmbios. Queremos que nossos professores façam esse intercâmbio e também receber pesquisadores de outras partes do mundo para nossa universidade.

Nós queremos ampliar nossos projetos de extensão. Nós temos vários projetos de extensão. Eu, por exemplo, sou coordenadora de um projeto que tem bastante importância para Campo Mourão e região. E queremos criar programas financiados pela própria instituição, buscando recursos do Governo Federal.
Queremos incentivar muito a prática de solidariedade e práticas de sensibilização e humanização por meio da arte, poesia, música e dança. Isso é extremamente importante porque não se faz uma universidade com espírito de faculdade. Nós temos que pensar e agir como universitários, tanto os agentes, estudantes e professores.

Tá Sabendo: Você tem recebido reivindicações durante a campanha?
Áurea: Sim, uma delas é com relação aos estágios. Inclusive os estudantes de Pedagogia, em todas as salas que eu estou visitando, colocaram que nós precisamos discutir a questão do estágio. Precisamos discutir a descentralização porque não podemos mais ter todos os estágios em Campo Mourão, pois temos estudantes de toda a região. Penso que numa gestão democrática e participativa temos que buscar, entre todos, qual a melhor solução para isso.

Tá Sabendo: Você acredita que o novo diretor deve concluir que percentual do novo campus?
Áurea: Na verdade um campus você nunca conclui. Ele é um projeto que nós começamos aí há alguns anos e tem muito a ser feito. Nós temos hoje um bloco que foi construído, mas ainda precisa de alguma infra-estrutura ali. Estamos recebendo R$ 1,7 milhão de uma emenda do deputado Rubens Bueno no ano passado para a construção de um novo bloco. Mas precisamos também criar um plano integrado de construção, de ocupação e infra-estrutura, ou seja, nós temos que ter vários projetos. Uma das medidas é a criação dos projetos de galerias, entre outros. Não dá pra dizer assim: “Na minha gestão vai ter 15% de construção do novo campus”. Porque não depende exclusivamente dos nossos recursos. Nossos recursos são limitados. Hoje o orçamento da instituição é de cerca de R$ 16 milhões, dos quais R$ 13 milhões são destinados à folha de pagamento. O restante é para manter a instituição. Então não podemos pensar em construir o novo campus com recursos próprios. Esses recursos têm que ser buscados no Governo Federal e também emendas parlamentares. Vamos buscar sim, mas o campus não é uma obra só da direção e sim de responsabilidade de Campo Mourão e de toda Comcam, porque aqui nós temos estudantes de todos os municípios. Então nós temos que unir forças, prefeitos, deputados e gestores da instituição para que a gente possa buscar recursos do Governo Federal e Estadual.

Tá Sabendo: Uma breve explanação da sua trajetória na instituição:
Áurea: Entrei na faculdade em 91. Em 96 comecei como bolsista da estação meteorológica. Me formei pela Fecilcam em 1997 no curso de Geografia. Fiquei durante oito anos na estação meteorológica. Em 2000 eu comecei a dar aula no Colégio Agrícola, que pertencia aqui à faculdade. E também comecei a dar aulas como professora colaboradora. Em 2005 teve o primeiro concurso depois que eu me formei e eu fui aprovada e continuo até hoje. Estou aqui há 13 anos como professora. Fui chefe de departamento de 2005 a 2010. Me envolvi muito na instituição. Implantei muitas políticas para o curso de Geografia.

Mas a minha experiência maior foi nesses últimos anos, na constituição da universidade. Eu fui uma das representantes de Campo Mourão na elaboração de documentos que dão o credenciamento da universidade, que são o estatuto, o regimento e o PDI. Ficamos trabalhando em 2011 intensamente nessa elaboração. E fui a coordenadora dos trabalhos internos, discutindo aqui com os professores, agentes e estudantes e encaminhando novamente esses trabalhos lá em Curitiba, às vezes em outras unidades aqui da Unespar. Isso nos deu muita experiência para colocar o nome a disposição do cargo de diretor.

Fui coordenadora do vestibular e fui assessora de Assuntos Comunitários, Ingresso e Permanência. E nesse período implementamos várias políticas importantes. Uma delas foi a redução da taxa do vestibular de R$ 90,00 para R$ 50,00. Também observamos que as pessoas, principalmente da Zona Rural, não tinham muito conhecimento que aqui em Campo Mourão tinha uma instituição pública. Então nós tínhamos que criar um meio pelo qual as pessoas pudessem conhecer a Fecilcam. Observamos também que tirando a cidade de Campo Mourão os outros municípios não tinham aparelhos de cultura, não tinham salas de cinema. Aí criamos o Cine Fecilcam que faz essa ponte hoje. O projeto deu muita visibilidade para nossa instituição.

Tá Sabendo: Mais alguma consideração?
Áurea: Nós estamos defendendo um projeto de universidade. Então eu convido a todos a esse projeto que nós temos que abraçar. É um momento importante para nossa universidade. É um momento crucial mesmo em que nós temos que unir forças. E nós estamos, eu e meu vice, com toda a energia para nos dedicar exclusivamente à construção desse projeto de universidade.