Renda de endividados está comprometida com aluguel, pensão e financiamento de carro
(Do R7) – Consumidores com gastos fixos como pagamento de aluguel, pensão e financiamento de automóvel têm mais chances de se tornarem inadimplentes, segundo último estudo realizado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Entre os brasileiros com conta em atraso, 33% deles moram em casa ou apartamento alugado, aponta a pesquisa encomendada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).
A proporção é maior do que os consumidores em dia com os pagamentos (os chamados “adimplentes”) — apenas 12% deles não têm esse tipo de despesa com moradia.
São considerados inadimplentes aqueles que atrasaram as contas há mais de 90 dias.
Os gastos com pensão alimentícia também pesam: eles estão presentes no orçamento de 10% dos consumidores com dívidas e de apenas 4% dos adimplentes.
Outro inimigo do pagamento em dia é o financiamento de veículos, feito por 3% dos adimplentes e, por outro lado, por 9% dos devedores.
Perfil dos consumidores
A maior parte dos consumidores endividados — 47% — pertence à classe C e têm renda familiar de R$ 906 a R$ 2.200 por mês.
Do total, 33% são da classe B (renda de R$ 2.200 a R$ 7.000) e somente 2% são da classe A (renda acima de R$ 7.000).
A classe D (renda entre R$ 601 e R$ 905) é o perfil de 15% dos inadimplentes, enquanto a classe E (até R$ 600) tem participação de 2% no total de endividados com contas há mais de três meses.
A pesquisa ouviu 1.277 pessoas de todas as capitais brasileiras.
Crescimento da dívida
O atraso no pagamento de uma dívida pode render ao consumidor a inclusão de seu CPF em cadastros de restrição de crédito, como a Serasa Experian ou o SPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), o que corresponde a ficar com o nome sujo.
O prazo para que uma dívida “suje” o nome do consumidor varia de acordo com a empresa que não recebeu o pagamento. Há quem coloque em um dia, em 15 ou em alguns meses depois do vencimento.
Ter o nome negativado por conta das dívidas traz uma série de dores de cabeça, como não conseguir abrir uma conta-corrente, contratar um empréstimo ou liberar o cartão para compras a prazo.
Até mesmo o emprego fica comprometido. No começo deste ano, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou que o empregador pode deixar de contratar um funcionário caso o nome do candidato esteja sujo.
Assim que a empresa comunica a dívida ao Serasa, por exemplo, o serviço envia ao consumidor uma carta-comunicado para que ele verifica se aquele débito existe e tome providências para quitá-lo. Se em dez dias a dívida não for paga, o nome é negativado.
Essa dívida permanece no banco de inadimplentes do Serasa pelo tempo máximo de dez anos. Depois desse prazo, cabe ao credor decidir como vai ter o dinheiro devido. A dívida não desaparece e geralmente é cobrada na Justiça, o que traz muito mais custos para o consumidor.
Para quem pretende se livrar dos débitos, o Serasa tem o serviço de Limpa Nome Online, que facilita a regularização das contas. Outra possiblidade é o Feirão Limpa Nome, feito em parceria com financeiras e bancos e que oferece descontos para renegociação ou finalização da dívida.
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