Comércio sofre com escassez de moedas para troco

Antonio Marques colocou um cartaz no caixa para sensibilizar os clientes – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

O hábito do brasileiro de encher cofrinhos, ou de não se sentir confortável em carregar grandes volumes de moedas na carteira está prejudicando o fluxo de caixa nos estabelecimentos comerciais. Em Campo Mourão há estabelecimentos que chegam a estampar cartazes em frente ao caixa, com pedidos de moedas ao cliente para facilitar o troco.

É o caso do comerciante Antonio Manoel Marques, 59 anos. Ele e a esposa mantêm um mercadinho na área central da cidade e para tentar sensibilizar os clientes, colocaram um cartaz em frente ao caixa com pedidos de moedas de R$ 0,05 e R$ 0,10. “São as que mais faltam no dia a dia”, conta ele.

A medida tem dado resultado. Alguns clientes já tomaram consciência e quando juntam certa quantia em moedas em casa levam até o estabelecimento para fazer a troca. “Acredito que muita gente junta para comprar um bem ao filho, para viajar no fim do ano, ou deixa dentro do carro. De qualquer forma é desajeitado mesmo carregar moeda. Cinco moedas já faz um volume grande na carteira”, entende o comerciante.

O problema é agravado pela diminuição na produção de moedas desde 2014, que ocorre – segundo o Banco Central – devido à necessidade de redução da despesa pública no âmbito federal. Para quem precisa delas na hora do troco, o jeito é apelar para a criatividade.

Carlos Chireia, gerente do Paraná Supermercados (matriz) disse que a empresa costuma recorrer até a igrejas para fazer a troca das cédulas por moedas. “É uma das estratégias. Mas as pessoas ainda mantêm aquele hábito antigo de fazer a poupança em casa. Procuramos conscientizar os clientes sobre a importância de fazer as moedas circularem e percebemos que tem surtido efeito. Do que era antes melhorou pelo menos em 10%”, afirma.

Prova de que as moedas permanecem em casa é que de vez em quando a empresa recebe clientes com até R$ 500,00 em moedas para trocar. “Acontece isso, a pessoa chega com R$ 200,00, R$ 300,00 e até R$ 500 em moedas para trocar.”

Moedas estão cada vez mais escassas nos caixas do comércio – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

PESQUISA CONFIRMA

Estudo divulgado hoje (19) pelo Banco Central (BC) mostra que 19,3% da população guarda moedas por mais de seis meses. Além disso, 56,2% usam o dinheiro guardado no cofrinho para compras e pagamentos, mostra o BC, no estudo “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”.

De acordo com o chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, Felipe Frenkel, 8 bilhões de moedas estão guardadas “em algum lugar”. Ele destacou que quanto mais moedas ficarem em circulação, menor será o gasto de recursos públicos com a produção do dinheiro.

O chefe-adjunto do Departamento do Meio Circulante do BC, Fábio Bollmann, disse que o BC considera positivo que a população faça poupança com as moedas. Entretanto, ele orienta a trocar as moedas por cédulas sempre que atingir um valor maior, no comércio ou no banco, para ajudar na circulação de dinheiro.

Segundo o BC, o dinheiro vivo ainda é o meio de pagamento mais utilizado pela população: 96,1% responderam que, além de outros meios, também fazem pagamentos em espécie. Na questão, os entrevistados podiam marcar mais de uma opção – 51,5% mencionaram cartão de débito e 45,5%, cartão de crédito.

Frenkel acrescentou que a pesquisa é importante para saber qual é a demanda atual por dinheiro no país. “O Banco Central faz a pesquisa para atender a demanda da população. Ainda é muito necessário o dinheiro no dia a dia”, acrescentou. (Informações sobre a pesquisa são da Agência Brasil)