Apostas em Bets envolvem quase 4 mil moradores e podem retirar R$ 7,8 mi por ano da economia de C. Mourão

Quase 4 mil moradores de Campo Mourão realizaram apostas esportivas em plataformas digitais, conhecidas como Bets, até junho de 2026. É o que aponta um levantamento obtido pela Secretaria Municipal de Inovação e Desenvolvimento Econômico (SEIDEC) junto ao Ministério da Fazenda.
A partir dos dados, estimativas elaboradas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento de Campo Mourão (IPPLAN) e pela própria Secretaria indicam que as perdas financeiras dos apostadores podem chegar a R$ 7,8 milhões por ano, com reflexos diretos no orçamento das famílias e na economia local. Vale lembrar que agora esse tipo de aposta está proibido no Brasil.
O levantamento identificou 3.972 CPFs únicos de moradores que realizaram apostas no período. O número corresponde a pelo menos 8,5% da população economicamente ativa do município. As informações foram obtidas pelo secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico, Eduardo Akira Azuma, por meio de solicitação fundamentada na Lei de Acesso à Informação (LAI) ao Ministério da Fazenda.
Para dimensionar o impacto financeiro, o IPPLAN e a SEIDEC utilizaram parâmetros nacionais do mercado regulado de apostas em 2025. Considerando uma perda líquida média de R$ 123 mensais por apostador, a estimativa é de aproximadamente R$ 488 mil por mês em perdas, totalizando R$ 5,86 milhões ao ano. Em um cenário de perdas individuais, com média mensal de R$ 164 por apostador, o impacto pode ultrapassar R$ 7,8 milhões anuais.
Para o secretário, os números demonstram que os efeitos das apostas vão além das perdas individuais. “Estamos falando de um volume expressivo de recursos que poderia estar circulando na economia de Campo Mourão, movimentando o comércio, a alimentação, o lazer e a prestação de serviços. Quando esse dinheiro é comprometido com apostas, o impacto acaba atingindo também a economia local”, avalia.
VÍCIO QUE ENDIVIDA
A preocupação não está restrita às projeções econômicas. Nos atendimentos realizados pela SEIDEC, já surgiram relatos de pessoas que enfrentaram graves dificuldades financeiras em decorrência das apostas.
Um dos casos envolve um pequeno empreendedor que, durante atendimento na Secretaria, relatou estar em processo de recuperação financeira após acumular uma dívida superior a R$ 100 mil em apostas esportivas. O caso ilustra como o comportamento compulsivo pode comprometer não apenas a renda pessoal, mas também a atividade profissional e a capacidade de manter um negócio.
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Campo Mourão também atende pessoas com problemas relacionados à ludopatia (vício em jogos). O serviço é referência no município para esse tipo de situação e oferece atendimento psiquiátrico, tratamento medicamentoso, grupos terapêuticos e acompanhamento dos pacientes.
Embora não haja registro específico de casos relacionados às apostas esportivas (Bets), a avaliação da coordenação é de que a vergonha e o receio de expor o problema podem dificultar a procura por ajuda. Por isso, a orientação é que pessoas que enfrentam dificuldades para controlar o comportamento de apostar ou que percebem prejuízos na vida financeira, familiar e emocional procurem atendimento.
O CAPS está localizado na Rua Carlos Behrens, 264, no Jardim Laura, anexo ao CSU. O contato pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp (44) 3523-8901.