2020 entra no segundo semestre com o desafio de não ser um ano perdido

Comércio tenta se recuperar, mas com horário ainda restringido com medida preventiva ao coronavírus – Foto: Arquivo/Tasabendo.com
O primeiro semestre de 2020 já se foi, mas dificilmente será esquecido. A pandemia do novo coronavírus, que começou na China ainda no final de 2019, rapidamente avançou mundo afora e chegou ao Brasil, deixando milhares de mortos (os números ainda não param de subir) e causando um impacto devastador na economia, sem contar no isolamento social, sem precedentes.
Em Campo Mourão não foi diferente. Acompanhando as recomendações dos órgãos de saúde, a cidade parou a partir da segunda quinzena de março, fechando escolas, igrejas, academias, restaurantes, comércio (por um período), um meio de facilitar o isolamento social, principal medida de prevenção ao coronavírus.
O resultado foi catastrófico para o comércio. Muitas empresas foram forçadas a fechar as portas enquanto outras reduziram drasticamente o quadro de funcionários. O drama e as incertezas ainda continuam.
No esporte, a bola também parou, e as equipes de futsal e basquete, representantes da cidade em competições nacionais ainda aguardam o início das disputas. Mas e agora, o que se pode esperar ainda do segundo tempo de 2020? É possível ainda crer em dias melhores até dezembro?
Em busca dessas respostas, a reportagem do Tasabendo.com ouviu alguns empresários mourãoenses, chefe do Núcleo de Educação, representante do Futsal, da Acicam, entre outros para que cada faça sua avaliação…
Bem-Hur Berbet, presidente da Acicam
“Podemos dizer que este primeiro semestre de 2020 foi um grande desafio para as empresas, onde o cenário mundial exigiu capacidade de adaptação e um total replanejamento das metas e objetivos. Como em toda crise, nossas principais dificuldades ficam explicitas, e muitos empresários não conseguiram manter o funcionamento da empresa, em sua totalidade, ou mesmo fecharam as portas. Por outro lado, a Acicam, graças a sua diretoria e a toda a equipe, trabalha em diversas frentes para ajudar o empresário neste momento de insegurança. São inúmeras ações onde o foco é manter o empresário ativo e em condições de seguir em frente. Entendemos que o segundo semestre deve ser de reorganização e retomada das atividades em consonância com esta nova realidade que se apresenta. O empresário é aquele que está acostumado a lidar com a incerteza, e na minha visão é quem está melhor preparado para enfrentar a crise, e certamente será quem sairá mais forte e em condições de continuar a mover o país.”
Ivete Keiko Sakuno Carlos, chefe do Núcleo Regional de Educação
“Realmente o ano está sendo muito atípico em todos os aspectos e setores. E na Educação não está sendo diferente. Mas a Secretaria de Estado da Educação, diante da Pandemia, tomou algumas decisões importantes e que deram resultado. Por sua vez, o NRE/Campo Mourão constituiu uma equipe específica para acompanhamento dessa nova proposta educacional, subsidiando as ações com as direções das escolas, equipes pedagógicas, professores e servidores, tendo como meta principal atingir o atendimento qualitativo aos alunos, razão de nossa existência. 2020 está sendo desafiador, com muitas lições e aprendizagem. Jamais a Educação será a mesma pós-Pandemia, pois tivemos que nos inovar, transformar e reinventar as ações educacionais, voltadas às tecnologias. Portanto, acreditamos que apesar de todos os desafios, 2020 será marcado como a grande revolução na Educação, pois tecnologia, inovação e readequação do perfil profissional será marcante na construção de propostas de novas metodologias.”
Newton dos Santos Leal, presidente do Codecam – Conselho do Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão
“Foi um primeiro semestre atípico, pois como Codecam, temos como propósito pensar a médio e longo prazo para o desenvolvimento econômico de Campo Mourão. Mas diante dessa situação de pandemia, no mundo todo, fomos impactados por muitas alterações na economia mundial, com reflexos em nosso município. Por outro lado, estamos agindo com certa naturalidade, pois entendemos que precisamos acreditar, ter esperança e trabalhar pensando num futuro melhor. Assim como tantas adversidades enfrentadas e superadas no passado, acreditamos que logo essa pandemia também será vencida, deixando de ser um empecilho para o desenvolvimento econômico. No entanto, mesmo diante da pandemia temos um estudo socioeconômico em andamento, de levantamento das cadeias produtivas de todos os setores da economia mourãoense, visando potencializar os empreendimentos aqui estabelecidos. O que precisamos agora é que as pessoas prestigiem o nosso comércio, diante desse cenário tão desafiador.”
Álvaro Machado da Luz, sócio-diretor do Paraná Supermercados
“O primeiro semestre foi aquém do que se esperava. Embora o ramo de alimento seja uma atividade essencial, sendo mantido sempre aberto, mas ainda assim foi bem complicado. Com o contingenciamento de pessoas, consequentemente as vendas diminuíram em relação ao ano passado. A preocupação é grande, pois mesmo tomando todos as medidas preventivas na empresa, as pessoas não estão tendo o cuidado em suas casas. Não sabemos até onde vai essa pandemia, mas a expectativa é que a gente consiga fechar 2020 pelo menos igual o ano passado, pois o segundo semestre sempre foi melhor. Outro ponto, é que as vendas de produtos básicos aumentaram bastante, enquanto os supérfluos sofreram queda. Com isso a margem diminui bastante, num momento em que os custos foram elevados pela necessidade de mais pessoas para o serviço de limpeza, controle de acesso, limpeza de carrinho, sem contar outra parte dos funcionários que foram afastados por fazerem parte do grupo de risco. Mas esperamos um segundo semestre melhor e que Deus proteja a todos nós.”
Anderson Hertz, gestor da Associação Campo Mourão Futsal (ACMF), Anderson Hertz
“O ano tem sido difícil para o mundo inteiro, muitos prejuízos financeiros, pessoas abaladas psicologicamente, mas acredito que tudo na vida é um aprendizado. Essa pandemia vai trazer ensinamento, fazendo com que passemos a valorizar mais as coisas simples, bem como as amizades, o convívio com as pessoas e principalmente aquelas que queremos por perto no nosso dia a dia. Acredito que estamos chegando no ponto máximo de contaminação e logo esse vírus começa a diminuir para que possamos retomar nossas atividades, com os devidos cuidados. A expectativa é que possamos retomar os treinos na próxima semana, confiantes de que o Campeonato Paranaense e a Liga Nacional sejam retomados no final de julho ou começo de agosto. Estamos todos confiantes em grandes conquistas ainda este ano, o melhor está por vir. Vamos trabalhar com esse objetivo, alguns patrocinadores tiveram que dar um tempo pelo momento difícil enfrentado, mas maioria manteve a parceria. Os sócios-torcedores também estão contribuindo muito para ajudar a manter o time e, com certeza, quando as coisas se normalizarem todos os patrocinadores estarão juntos conosco pela grande publicidade que o futsal proporciona.”