Médico curitibano defendeu estátua indígena na entrada de Campo Mourão

Médico curitibano Moisés Paciornik – Foto: Divulgação

Em setembro de 1997, um artigo publicado na Gazeta do Povo trouxe à tona não apenas a origem do nome de Campo Mourão, mas também uma reflexão profunda sobre identidade histórica e reconhecimento dos povos indígenas. Intitulado “Por que Campo Mourão chama-se Campo Mourão?”, o texto foi assinado pelo médico curitibano Moisés Paciornik.

Logo no início, o autor relata uma curiosa situação: ao entrar em contato com a secretaria ligada à direção do jornal — cuja funcionária teria nascido em Campo Mourão — ouviu uma explicação popular sobre o nome da cidade, associando-o a “mourões com argolas para amarrar burros”. Diante da dúvida, a própria equipe do jornal buscou esclarecimentos junto à Casa da Cultura do município.

A resposta veio rapidamente, apresentando a versão histórica consolidada: o nome da cidade remonta à expedição de Dom Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, realizada em 1769, figura importante no processo de ocupação do território paranaense.

Mais do que esclarecer a origem do nome, o artigo de Paciornik avançou para uma reflexão social e histórica. Sensibilizado com a realidade dos povos indígenas, o médico sugeriu, à época, ao então prefeito Tauillo Tezelli, a adoção de medidas que promovessem respeito e valorização dos remanescentes dos povos originários da região.

Ele destacou a situação de comunidades indígenas localizadas em áreas como Tamarana, citando grupos como Jerônimo, Marrecas, Ivaí e Queimados, que, segundo ele, sobreviviam em condições de incompreensão, discriminação e injustiça.

Moisés Paciornik foi um médico reconhecido nacionalmente, especialmente por sua atuação na área da obstetrícia e por defender práticas de parto mais humanizadas. Ficou conhecido por estudar e valorizar saberes tradicionais, incluindo conhecimentos de povos indígenas, o que influenciou sua visão sobre saúde, corpo e cultura.

Ao longo de sua trajetória, Paciornik também se destacou como escritor e articulista, utilizando seus textos para provocar reflexões sobre temas sociais, culturais e humanos. Seu artigo sobre Campo Mourão revela não apenas uma preocupação com a origem histórica da cidade, mas também um posicionamento ético em favor do respeito, da dignidade e da valorização dos povos originários do Brasil.