Livro sobre a história de CM será lançado em dezembro

Campo Mourão vai contar com uma nova referência de suas origens e povoamento pela família Pereira, que vai contribuir para o resgate da história da região. Dia 15 próximo, às 20 horas, no auditório da Biblioteca Municipal Professor Egydio Martello, o jornalista Silvestre Duarte lança seu livro “Campo Mourão: da saga dos Pereira ao Eldorado Paraná (1897-1963)”, em evento que promete reunir várias gerações da família, amigos, historiadores e interessados pela história da região.

O livro de 220 páginas é ilustrado com fotografias, documentos e mapas antigos do Paraná, como o de 1896, que assim registra a região de Campo Mourão: “Terrenos devolutos”, e “Sertão desconhecido”. O autor utilizou depoimentos de pessoas antigas, como sua mãe, Benedita Pereira Duarte (nascida em 1911 em Campo Mourão), sobre relatos da longa viagem de seis anos de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) até a localização de Campo Mourão, em 1903. E ainda sobre a cooperação em que viviam os pioneiros para vencer as distâncias, as dificuldades, o isolamento e as agruras do sertão da época da cidade-mãe, Guarapuava.

Os sertanistas e as guerras esquecidas

Silvestre vasculhou registros dos sertanistas e agrimensores Edmundo Alberto Mercer e Coelho Júnior, narrando as andanças na região e suas impressões dos primeiros tempos e, também, as do geógrafo Reinhard Maack, dedicando-lhes o capítulo, “Os amigos de Campo Mourão”. Baseado em artigos de Edmundo Mercer, publicados na imprensa em 1913, e em outras fontes, o jornalista comprova que ninguém habitou Campo Mourão antes dos Pereira, como reivindicava um grupo de fazendeiros de Guarapuava, ainda constante da historiografia.

O pesquisador narra guerras esquecidas, como A Revolução dos Tenentes de 1924-1925 na região de Campo Mourão. Resgata as façanhas incríveis do tenente João Cabanas e de sua temível “Coluna da Morte”. E recorda a esquecida e violenta guerra Kaingang de 1923, na Serra da Pitanga, motivada pelo avanço de imigrantes sobre terras indígenas, que aguardavam demarcação. E, depois, trata os ciclos econômicos da região, desde as culturas crioulas (de subsistência) passando à safra suína, extrativismo e comercialização de madeira até a cultura cafeeira.

Colonização do “Eldorado Paraná”

O jornalista também aborda os principais conflitos de terra do Estado do Paraná, nos tempos do governador Moysés Lupion. Inclusive, o “Grilo de Marimpá”, de Campo Mourão do início dos anos 1950, que quase se transformou em guerra entre lavradores e pistoleiros, e repercutiu na imprensa nacional e no Congresso Nacional. A esse período conturbado da colonização do Paraná, das chamadas frentes de expansão, ele dá o nome de “Eldorado Paraná”, como consta no título do livro. E dedica bastante espaço ao tema, relacionando-o com a marcha para o oeste no século XIX, nos EUA, quando todas as demandas e conflitos eram resolvidos à bala.

“Portanto, o livro é bem mais do que a saga dos Pereira. Resgata a pouca conhecida história da colonização do estado do Paraná, inclusive na imensa e rica região de araucárias e madeiras-de-lei do município de Campo Mourão da época”, adianta Silvestre. Seu intuito é que o livro seja usado pelas novas gerações de mourãoenses, e pesquisadores e estudiosos da história do Paraná. Especialmente das regiões centrais do estado – ricas em eventos históricos, mas pouco estudadas – para resgate e preservação de sua memória.

O Cerrado Mourãoense, localizado mais ao sul do planeta, datado de quase 25.000 anos atrás, não foi esquecido. É tema da capa e do primeiro capítulo. O autor revela as plantas terapêuticas usadas pelos pioneiros como medicina alternativa.