Dom Luís: patrono de Campo Mourão completou 300 anos de nascimento

Dom Luís António de Sousa Botelho Mourão, patrono de Campo Mourão, completou ontem, 21, o seu tricentenário de nascimento. Segundo o historiador Jair Elias, em 1765, a Coroa Portuguesa decidiu nomear um capitão-general de reconhecida capacidade militar e fidalguia para restaurar a capitania e combater os espanhóis. Elias explica que Dom Luís era “membro da pequena nobreza de Trás-os-Montes (norte de Portugal), e quarto Morgado de Mateus, nasceu a 21 de fevereiro de 1722, e seguiu a carreira militar desde jovem”.
Em 1756, casou-se com Leonor Ana Luísa José de Portugal, irmã de Dom Francisco de Sousa Coutinho, governador de Angola. O prestígio do cunhado, aliado a atuação do Morgado na guerra contra os espanhóis, em 1762, aproximou-o de Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e futuro Marquês de Pombal, homem forte do governo português.
Segundo Jair Elias, por esse motivo, Dom Luís “foi escolhido como restaurador da Capitania de São Paulo. Ele desembarcou em Santos em junho de 1765, e tomou posse na Câmara Municipal de São Paulo em abril de 1766”.
Elias explica que Dom Luís assumiu “o encargo de reconstruir São Paulo a partir do estado de penúria que os sucessivos desmembramentos provocaram na capitania”. Para cumprir este objetivo, o historiador cita que o patrono de Campo Mourão “organizou o governo, criou vilas em pontos estratégicos, recenseou a população e fomentou a economia. Por outro lado, sangrou as energias do seu governo com projetos ambiciosos, como a manutenção, a Oeste, da praça militar de Iguatemi, criada para desviar a atenção dos espanhóis da região do Prata”.
Para impedir o avanço dos espanhóis sobre terras do Reino de Portugal, mandou expedições reconhecer o atual território paranaense. “Uma dessas expedições, em 1769, adentrando em ambas as margens do Ivaí e Corumbataí e seus afluentes, em diferentes veredas, descobriu-se um campo que, pelo conhecimento que traziam dos Campos Gerais, os povoadores julgaram ser extenso. Registraram a descoberta e impuseram o nome de “Campos do Mourão”, sempre em obediência às instruções dadas por Dom Luís”, explica o historiador Jair Elias sobre a origem do nome do município de Campo Mourão.
Dez anos depois, de volta a Portugal, o Morgado de Mateus continuou justificando suas atitudes à frente do governo de São Paulo e reivindicando sua ascensão na carreira militar e na escala nobiliárquica, em constantes apelos ao rei Dom José e, posteriormente, a Dona Maria I. Morreu a 3 de outubro de 1798.