AML emite Nota Oficial sobre incêndio em Museu do Rio de Janeiro

Museu Nacional no Rio de Janeiro interditado – Foto: Antonio Lacerda/EFE/Direitos Reservados

A Academia Mourãoense de Letras (AML) de Campo Mourão emitiu uma Nota Oficial sobre o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, ocorrido na noite de ontem. Para a entidade, uma tragédia anunciada que abala o Brasil.

Há 14 anos, em 3 de novembro de 2004, o então secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo Wagner Victer denunciou, em entrevista à Agência Brasil, os riscos de que o Museu Nacional do Rio de Janeiro poderia vir a ser destruído por um incêndio. A conversa com a repórter Daisy Nascimento ocorreu após visita ao local.

Na ocasião, o secretário disse ter ficado impressionado com a situação das instalações elétricas do museu, em estado deplorável, em sua avaliação: “O museu vai pegar fogo: são fiações expostas, mal conservadas, alas com infiltrações, uma situação de total irresponsabilidade para com o patrimônio histórico”, denunciou então. (Com informações Agência Brasil)

NOTA OFICIAL

E os templos, os museus, o Capitólio erguido
Em mármor frígio, o Foro, as eretas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.
(Olavo Bilac, “O incêndio de Roma”)

A ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS (AML), Entidade sem fins lucrativos que visa a fomentar a democratização da literatura e a socialização dos bens culturais na região de Campo Mourão, vem a público lamentar profundamente a tragédia que devastou o Museu Nacional – patrimônio histórico do Brasil, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro – após incêndio que reduziu às cinzas seu irrecuperável acervo de mais
de 20 milhões de peças, as quais o alçavam entre os mais importantes do mundo.

As chamas que arruinaram, nesse início da Semana da Pátria, a mais antiga instituição científica do país, custódia de um tesouro arqueológico de valor inestimável – no qual figurava, por exemplo, o crânio de Luzia, fóssil de 11.500 anos, o mais antigo das Américas – emanam, certamente, de uma combustão bem mais avassaladora: a
míngua a que têm sido severamente reduzidos os investimentos públicos na preservação da cultura, dos valores simbólicos e do fazer científico no Brasil, aniquilando nosso passado e inviabilizando nosso futuro.

Por fim, ainda à fumaça do que restou de nossa história, conclamamos todos e todas para que reforcem conosco o coro por políticas públicas que garantam a arte, a memória, a cultura e a ciência, sem as quais não pode haver nação, tampouco independência.

Campo Mourão, 3 de setembro de 2018.

FÁBIO SEXUGI
Presidente