Mensalinho na prefeitura de Luiziana é notório, diz delegado do Nurce

Delegado do Nurce, Renato Figueiroa durante coletiva, ao lado do delegado Marcelo Trevisan – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com
Durante entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, na 16ª Policial de Campo Mourão, o delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) de Curitiba, Rento Figueiroa disse que a prática de Mensalinho na prefeitura de Luiziana é notório. “Em conversa com testemunhas e até algumas pessoas que nem chegaram a prestar depoimento, fica bem claro que houve essa prática criminosa na prefeitura”, disse o delegado.
O caso veio à tona na manhã de hoje, com as prisões de nove servidores da prefeitura, entre eles alguns secretários, ex-secretários e o Procurador Jurídico, Thiago Slongo, sobrinho do prefeito Mauro Slongo, que também está sendo investigado.
De acordo com as investigações, os servidores repassavam parte do salário a Thiago, para que a verba fosse usada em forma de caixa 2 para a campanha de reeleição de Slongo, em 2016. “Esse esquema criminoso teria ocorrido entre 2012 a 2016, envolvendo vários servidores”, revela o delegado. Conforme apontam as investigações, Thiago era o operador do esquema e até revelava para os servidores que o dinheiro era para caixa 2.
A investigação deflagrada pelo Nurce acontece há um ano, e conta o apoio da Polícia Civil de Campo Mourão. O delegado-adjunto da 16ª SDP, Marcelo Trevisan acompanhou a coletiva de Figueiroa.
Os oito detidos nesta quarta-feira permanecem presos temporariamente por cinco dias, período em que serão interrogados sobre o esquema. Após isso, a polícia vai analisar a necessidade de prorrogação da prisão, liberação dos detidos ou até mesmo uma nova representação por prisão preventiva. “Será analisado e investigado individualmente a situação de cada um dos detidos.”

Documentos, computador, celulares e notebook foram apreendidos – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com
Durante a operação foram apreendidos nesta manhã vários documentos na prefeitura, além de computador, notebook e celulares para serem investigados, a maioria na sala do sobrinho do prefeito.
O esquema fraudulento funcionava da seguinte forma, segundo o delegado: “Alguns servidores, efetivos ou comissionados, recebiam uma gratificação por parte do prefeito, já com a obrigação de devolver parte do valor para o Procurador Jurídico do município. Segundo relatos de testemunhas, esse dinheiro foi utilizado para caixa 2 na campanha de reeleição de 2016 do atual prefeito”, relatou Figueiroa
O delegado explicou que o prefeito não foi alvo de nenhuma medida cautelar nesta quarta-feira, mas mesmo assim ele será alvo de investigação. Os detidos foram indiciados por associação criminosa e corrupção ativa e passiva. A reportagem do Tasabendo.com tentou contato com o prefeito por telefone, mas não foi localizado.