IV FATI coloca Campo Mourão na rota dos importantes eventos agropecuários do Paraná

Nos dias 06 a 08 de junho, na Associação dos Engenheiros Agrônomos (AEACM), em Campo Mourão, ocorreu a IV FATI – Feira do Agronegócio, Tecnologia e Inovação. O propósito do evento foi o de discutir com a região a necessidade de se colocar a tecnologia e a inovação a serviço dos produtores de alimentos, para que a produção aconteça em maior quantidade e qualidade e atenda o Brasil e o mundo.

Organizado desde 2019 pela Câmara do Agronegócio/CODECAM, em sua quarta edição o evento transformou-se em feira e tornou-se vitrine para os ativos de tecnologia agropecuária, presentes na região da COMCAM.

“A FATI, desde a sua primeira edição, foi pensada para envolver o mercado, a academia e as estruturas de governo e de suporte ao empreendedorismo inovador”, disse Dâmares Ferreira, advogada e coordenadora da Câmara do Agronegócio de 2018 a 2024, lembrando que a terceira edição do evento ocorreu em 2021.

De 2022 a 2023, com o apoio da Prefeitura Municipal de Campo Mourão, a Câmara concentrou seus esforços em discutir e elaborar um conjunto de propostas de políticas públicas com a finalidade de criar um arcabouço regulatório de estímulo à inovação agropecuária. “Durante esse intervalo, a Câmara também articulou e fechou protocolos com os governos federal (MAPA), estadual (SETI/PR), cooperativas, instituições de ensino, empresas e diversas entidades para o reconhecimento do Ecossistema de Inovação Agropecuária da COMCAM”, considerou ela.

A edição 2024 da FATI foi organizada pelo Sindicato Rural de Campo Mourão, pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão, pela Câmara do Agronegócio/CODECAM, pelo Sistema Regional de Inovação Centro Ocidental (COMCAM), pela Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, pelo IDR/PR – Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná e pela Agroi9 Incubadora para reforçar a integração e a conexão entre os atores que compõem o Ecossistema de Inovação Agropecuária da Centro Ocidental/COMCAM.

MERCADO

Nesse ano, pelo lado do mercado, a feira apresentou ao produtor rural dezenas de empresas, fornecedoras de tecnologia, com atuação regional e forte escala global e nacional. Algumas delas, inclusive, foram fundadas em Campo Mourão, como a ProSolus e a Saframax.

A Coamo Agroindustrial Cooperativa e outras cooperativas de crédito, como a Credicoamo e o Sicredi tiveram importante presença na feira.

Empresas em fase de crescimento e escala expuseram os seus produtos e serviços ao produtor rural, dentre elas startups mourãoenses como a Agroflux, que produz equipamentos de controle de pulverização agrícola e a Agrocells, que atua com biotecnologia agrícola para o manejo do solo e de grandes culturas.

Segundo Guilherme Castro, diretor da Agroflux, a ideia de criar a startup surgiu quando três jovens estudantes da UTFPR-Campo Mourão e do Integrado se uniram com o objetivo de desenvolver uma tecnologia voltada para o agronegócio, destinada a produtores rurais de todo o Brasil. “Nosso ecossistema não apenas estimula, mas também oferece suporte estratégico essencial para aqueles que desejam empreender na cidade,” afirmou.

ACADEMIA

Uma das preocupações da Câmara do Agronegócio/CODECAM sempre foi a produção de pesquisa aplicada, a formação profissional e a retenção de talentos em Campo Mourão e região. Ao auxiliar o município na elaboração da Política de Inovação Agropecuária, a Câmara propôs esse tema como um dos eixos centrais do documento.

No Espaço de P&D, do evento, representando a promessa de futuras tecnologias e inovações para a região, a UNESPAR, a UTFPR, a UEM/Goioerê e a Unicampo, expuseram projetos de pesquisa e de extensão desenvolvidos por seus professores e alunos, com foco na agropecuária. Foram apresentados projetos em nanotecnologia, biotecnologia, realidade aumentada, inteligência artificial, internet das coisas, processos e práticas de sustentabilidade, agroecologia, gestão de processos, dentre outros.

Segundo Sérgio Luiz Maybuk, coordenador do espaço de P&D e Chefe da Divisão de Extensão e Cultura na UNESPAR, a digitalização tem produzido forte impacto na agricultura e pecuária de precisão e, junto com a sustentabilidade, são os temas do momento. “Os projetos apresentados no evento indicaram que os pesquisadores da região estão atentos às tendências do mercado. Para a próxima edição, um importante número de projetos iniciados neste ano nas universidades – alguns com apoio da AGEUNI/Paraná – estarão em melhor posição na escala de maturidade tecnológica e poderão ser expostos no espaço”, adiantou.

A IV FATI também divulgou os cursos de tecnologia existentes nas universidades e colégios técnicos da região, colocando em destaque os movimentos feitos por essas instituições no sentido de aproximar a produção de conhecimento e a formação de nível técnico e superior às demandas do setor produtivo, fomentar a extensão tecnológica e estimular o empreendedorismo inovador.

Nesse sentido, o Centro Universitário Integrado participou do evento para apresentar as propostas dos seus cursos de ciências agrárias e as diversas iniciativas e atividades que tem realizado para tornar o seu egresso um aliado do produtor rural.

Já a reitora da Unespar, professora Salete Sirino, durante a abertura do evento, lembrou ao Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, também presente na solenidade, a necessidade de urgente aprovação do curso de agronomia, para o campus de Campo Mourão, com projeto em análise na referida secretaria, para atendimento dos filhos de produtores rurais da região.

O Colégio Agrícola de Campo Mourão contribuiu com o evento, auxiliando na avaliação das equipes que participaram da jornada de ideação e prototipação de soluções para a gestão de resíduos produzidos pelas propriedades rurais, o Ideathon FAEP 2024, que ocorreu no sábado e contou com equipes de alunos de colégios agrícolas e instituições de ensino superior.

SUPORTE

Além de empresas e instituições de ensino, diversas organizações de apoio e suporte ao empreendedorismo participaram da IV FATI, dentre elas ambientes de inovação, como a Agroi9 Incubadora, Sprint UTFPR, Agitec e Fundação Educere, o Sebrae – Campo Mourão, a AEACM – Associação dos Engenheiros Agrônomos, o Sindicato Rural/Sistema FAEP e a Comissão de Mulheres da Federação da Agricultura do Paraná. Essas organizações deram importantes contribuições para a realização do evento, lembrou Fernando Mizote, atual coordenador da Câmara do Agronegócio/CODECAM.

GOVERNO

Com a IV FATI, começa-se a implementação da política pública municipal de inovação agropecuária, publicada pela Prefeitura Municipal de Campo Mourão em 2023. Como política pública, a iniciativa será conduzida pela Secretaria Municipal de Inovação e Desenvolvimento Econômico com o objetivo de orientar e coordenar estratégicas, programas e ações de fomento à inovação nesse setor.

Nessa jornada, a secretaria continuará com o assessoramento da Câmara do Agronegócio/CODECAM, contará com a Diretoria de Inovação Agropecuária do SRI/CO e com o apoio do MAPA – Ministério da Agricultura e Pecuária, da SEAB/PR – Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, do IDR/PR – Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, da SETU/PR – Secretaria de Estado do Turismo, da SETI/PR – Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Fundação Araucária, disse Eduardo Akira Azuma, Secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

Segundo Aldo Nelson Bona, o governo estadual quer transformar o Paraná no supermercado do mundo e para isso conta e apoia iniciativas para fortalecimento do ecossistema de inovação agropecuária da COMCAM e da FATI – Feira do Agronegócio, Tecnologia e Inovação.

Para Frederico Stellato Farias, Diretor de Inovação Agropecuária do Sistema Regional de Inovação e Presidente em exercício da Agroi9 Incubadora, a região é muito rica em iniciativas que buscam atender o produtor rural, em suas demandas por inovação e tecnologia.

Em 2023, com a sua Política Municipal de Inovação Agropecuária, o município passou a estimular a integração e a cooperação entre empresas, cooperativas, instituições de ensino, órgãos de fomento e organizações do terceiro setor, para potencializar ainda mais essa prática, disse ele, buscando o nascimento de novos negócios, na região, com base em conhecimento e tecnologia, ou seja, pretendendo transformar conhecimento em produtos, em processos e em serviços voltados à cadeia produtiva agropecuária.

“A FATI foi eleita como uma das estratégias para aproximar esses atores regionais, entre si, mostrar à sociedade e ao produtor rural o potencial tecnológico da região e gerador negócios e novas empresas, e, articular o Ecossistema de Inovação Agropecuária Centro Ocidental do Paraná, reconhecido pelo MAPA e lançado oficialmente na sede da Coamo no último dia 05 de junho”, finalizou.

FATI MULHERES

Outro ponto de destaque na IV FATI, foi a participação de centenas de produtoras rurais, lideradas pelas Comissões de Mulheres da FAEP. “Elas discutiram a inovação agropecuária como importante aliada para o aumento da produtividade e para a manutenção dos jovens nas propriedades rurais”, lembrou Cezar Bronzel, presidente do Sindicato Rural de Campo Mourão.

Para Larissa Galassini, coordenadora da FATI MULHERES, o convite às mulheres foi um reconhecimento da inserção feminina no agronegócio, do seu valor e a importância de sua participação na condução dos negócios. “As mulheres estão buscando conhecimento e estão atentas às inovações e ao possa proporcionar maior rentabilidade em suas propriedades. A expressiva presença delas, na IV FATI, nos mostrou isso”, avaliou.

DEMANDAS

Trazendo à discussão a gestão de resíduos gerados pelas propriedades rurais, o Ideathon FAEP 2024 – maratona de construção de soluções tecnológicas organizada pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná, durante a IV FATI, reuniu dezenas alunos de colégios agrícolas da região.

Os interessados foram divididos em equipes e ao final, os membros das equipes que apresentaram as três melhores soluções receberam prêmios e um programa de pré-incubação na Agroi9 Incubadora, ambiente de inovação especializado parceiro do sindicato rural local.

Segundo a direção da Agroi9 Incubadora, as equipes premiadas serão estimuladas a continuarem no desenvolvimento de suas ideias e estas, após validações pelos produtores rurais, poderão até se tornar novos negócios.

PALESTRAS

Durante o evento, importantes palestras foram proferidas, incluindo, sobre a Rotas Tecnológicas 2040, planejadas pela Fundação Araucária, o mercado de carbono, perspectivas econômicas, financeiras e políticas para o agronegócio brasileiro e mundial, irrigação, iluminação e polinização como fator de aumento de produtividade na sojicultura, dentre outros temas, lembrou Jairo Quadros, gerente regional do IDR/PR.

HOMENAGEM

O plantio direto, processo inovador e sustentável adotado pela agricultura brasileira há mais de 50 anos, foi tema de importante homenagem durante a IV FATI.

A solenidade, conduzida pela Federação Brasileira do Sistema de Plantio Direto teve importância histórica e destacou o trabalho pioneiro de cinco mourãoenses:Joaquim Peres Montans, Antônio Álvaro Massareto, Ricardo Accioly Calderari, Gabriel Borsato e Henrique Salonski, os dois últimos já falecidos e representados no ato por Édson Borsato e Carlos Augusto Salonski. Após Rolândia, Campo Mourão foi o segundo município a usar o plantio direto, no Brasil.

Os homenageados receberam uma placa e a medalha de honra Herbert Bartz, o pai do Plantio Direto, como reconhecimento pelos serviços prestados ao Sistema Plantio Direto no Brasil. Herbert Bartz, de Rolândia, desenvolveu a técnica do plantio direto e, para melhorar o solo de Campo Mourão, os mourãoenses foram conhecer e adotaram o sistema em primeira mão. Por isso, foram declarados e oficializados, pela Federação, como os pioneiros do plantio direto no Brasil, após Bartz.

Recebendo milhares de pessoas, durante os seus três dias, a IV FATI gerou negócios, apresentou as melhores tecnologias para o produtor rural e mostrou que a nossa região tem muito potencial, afirmou Ricardo Accioly Calderari, agrônomo, produtor rural e um dos pioneiros do plantio direto no Brasil, homenageado durante o evento. Para ele, com os excelentes resultados obtidos em sua quarta edição, a FATI 2025, agendada para os dias 5 e 6 de junho/25, crescerá ainda mais, com potencial para ficar entre os mais importantes eventos do setor, no Paraná.