Carta de Campo Mourão pela Agricultura Sustentável encerra a VI FATI

A assinatura da Carta de Campo Mourão pela Agricultura Sustentável marcou o encerramento da VI Feira do Agronegócio, Tecnologia e Inovação (FATI), realizada nos dias 11 e 12 de junho, na Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM), consolidando o evento como um espaço de articulação entre ciência, produção, inovação e sustentabilidade.
O documento foi proposto pelo presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM), José Petruise Ferreira Junior, redigido pela advogada Dâmares Ferreira e lido pela professora Andrea Groff, coordenadora do curso de Agronomia da Unespar – Campus de Campo Mourão, ao final do evento.
A seguir, o manifesto foi subscrito e chancelado pelo prefeito de Campo Mourão, João Douglas Fabrício e por representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão (CODECAM), da AEACM, do Sistema FAEP/SENAR, do Sindicato Rural de Campo Mourão, do IDR-Paraná, do Sistema Regional de Inovação (SRI), de instituições de ensino, cooperativas agropecuárias, pesquisadores, professores, produtores rurais, lideranças do agronegócio, apoiadores e participantes da feira.
Segundo Petruísse, a trajetória que inspirou essa iniciativa começou há quase cinquenta anos. Em 26 de setembro de 1976, Campo Mourão foi escolhida pelo governo federal para sediar o lançamento do Plano Nacional de Conservação de Solos (PNCS), uma das mais importantes políticas públicas voltadas à agricultura conservacionista no país. “A escolha do município refletia o reconhecimento nacional dos esforços desenvolvidos por produtores rurais, engenheiros agrônomos, pesquisadores, cooperativas e instituições locais na busca de soluções para os problemas de erosão e degradação dos solos agrícolas”, esclareceu.
O lançamento do Plano transformou Campo Mourão em símbolo da agricultura conservacionista brasileira e consolidou uma trajetória que ajudou a construir os fundamentos da moderna agricultura tropical, no Brasil e na América Latina. E, nessa época, floresceu uma das mais importantes e disruptivas inovações agropecuárias produzidas no Brasil, o Sistema Plantio Direto.
Campo Mourão foi o segundo município brasileiro a adotar o Sistema Plantio Direto e tornou-se um verdadeiro laboratório de inovação agrícola. A partir das experiências desenvolvidas nas propriedades rurais da região, o Sistema Plantio Direto foi aperfeiçoado, validado e difundido para outras regiões do país, contribuindo para aumentar a produtividade, reduzir a erosão, conservar a água, ampliar os estoques de carbono e promover sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis.
Durante a IV FATI, a Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto homenageou os pioneiros mourãoenses Joaquim Peres Montans, Antônio Álvaro Massareto, Ricardo Accioly Calderari, Gabriel Borsato e Henrique Gustavo Salonski (in memoriam). Na edição seguinte da feira, esse legado recebeu novo reconhecimento com a sanção da Lei Municipal nº 4.873/2025, que instituiu o Dia Municipal do Sistema Plantio Direto, celebrado anualmente em 6 de junho.
Segundo os organizadores do evento, o principal legado deixado pelos pioneiros da conservação dos solos e do Sistema Plantio Direto é demonstrar que inovação e sustentabilidade são processos permanentes, construídos por sucessivas gerações a partir do conhecimento científico, das tecnologias disponíveis em cada época e da capacidade de produtores, pesquisadores e instituições transformarem desafios em oportunidades de desenvolvimento.
Foi assim na década de 1970 e continua sendo assim nos dias atuais, quando universidades, centros de pesquisa, cooperativas, empresas, empreendedores e produtores rurais trabalham conjuntamente para enfrentar desafios relacionados à agricultura de baixo carbono, à adaptação climática, à transformação digital, à biotecnologia, à gestão de dados e à segurança alimentar.
Em 2023, Campo Mourão passou a investir em nova etapa dessa trajetória de desenvolvimento, estabelecendo sua Política Municipal de Inovação Agropecuária. Concebida para fortalecer a articulação entre universidades, empresas, organizações de apoio, produtores rurais e poder público, a política reconhece que o desenvolvimento sustentável depende da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções concretas para os desafios do campo.
Nesse contexto, a FATI foi eleita uma das estratégias de articulação e de integração dos atores do ecossistema de inovação agropecuária, responsáveis pela geração, transferência e aplicação do conhecimento produzido às demandas do produtor rural.
Dessa convergência foi editada a Carta de Campo Mourão pela Agricultura Sustentável. Além de conectar o passado, o presente e o futuro do desenvolvimento regional, o documento estabelece compromissos voltados ao fortalecimento da conservação dos solos, à expansão qualificada do Sistema Plantio Direto, ao incentivo à rotação e diversificação de culturas, ao apoio à agricultura de baixo carbono, ao fortalecimento da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação, ao estímulo à transferência de tecnologia, à formação de lideranças, à integração entre ensino, pesquisa, setor produtivo e poder público, à valorização da memória dos pioneiros da agricultura conservacionista e à consolidação de Campo Mourão como referência nacional em inovação agropecuária, conservação dos solos e desenvolvimento sustentável.
Ao celebrar o legado do Plano Nacional de Conservação de Solos, homenagear os pioneiros do Sistema Plantio Direto, reforçar compromissos com a agricultura sustentável e reunir os atores do ecossistema regional de inovação agropecuária, a VI FATI reafirmou que a construção do futuro depende da mesma combinação que transformou Campo Mourão em referência nacional: conhecimento, cooperação, empreendedorismo e compromisso com a sustentabilidade.