Audiência Pública na Assembleia debate estratégias para manter juventude no campo

Encontro ocorreu na manhã desta quarta-feira (15), no Plenarinho – Foto: Antônio More/Alep
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta quarta-feira (15), uma audiência pública para discutir políticas voltadas à permanência da juventude no campo. Com o tema “Dia Estadual da Juventude Rural: políticas e perspectivas para a permanência da juventude no campo no Paraná”, o debate foi proposto pelo deputado Professor Lemos (PT) e reuniu representantes do poder público, entidades do setor agropecuário e jovens agricultores para discutir os desafios da sucessão rural, o fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação de políticas públicas que garantam oportunidades às novas gerações no meio rural.
Representando a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a diretora Terezinha Busanello Freire destacou que manter os jovens nas propriedades rurais é uma das prioridades das políticas desenvolvidas pelo Estado. Segundo ela, programas voltados à agroindústria familiar, ao turismo rural e ao agroturismo têm contribuído não apenas para evitar o êxodo rural, mas também para incentivar o retorno de jovens que haviam deixado o campo.
“Essa audiência pública é de extrema importância porque discutir a permanência do jovem na propriedade é fundamental. Temos trabalhado com vários programas que auxiliam na retomada e no retorno do jovem para a propriedade, como a agroindústria familiar e o turismo rural, que têm levado muitos jovens de volta para ajudar suas famílias”, afirmou.
A secretária de Juventude da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Tainá Goleindra Oliveira ressaltou que a permanência dos jovens depende de um conjunto de políticas públicas que ultrapassam o incentivo à produção agrícola.
Para ela, o acesso à terra, ao crédito, à assistência técnica, à comercialização, além de investimentos em saúde, educação, esporte, cultura e lazer, são fatores determinantes para que os jovens escolham permanecer no campo. “Os desafios ainda são muitos. Hoje essa audiência celebra justamente a possibilidade de existir um Plano Estadual da Juventude Rural, que contemple todos esses fatores decisivos para a permanência da juventude no campo. A expectativa é que esse projeto de lei seja aprovado e implementado nos territórios do Paraná”, destacou.
A secretária de Juventude da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafs) e da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Bárbara Maria Camargo Almeida, também participou. Segundo ela, três palavras-chave norteiam o trabalho das instituições: organizar, lutar e transformar. “O jovem não é obrigado a permanecer, mas, se ele quiser, que tenha qualidade de vida e condições de permanecer. É possível que ele saia para estudar e retorne para produzir. Nós precisamos também deixar de pensar no jovem como futuro, mas sim como presente. Como o agora”, disse. Dentre os principais temas para garantir isso, Bárbara citou a regularização fundiária, o acesso à terra, a tecnologia, a transição para um novo modelo de produção, a abertura de comercialização e o acesso a mais crédito do Pronaf Jovem.
“A sucessão rural é o xeque-mate. Precisamos mantê-los no campo. A educação no campo tem que ser mantida para garantir isso”, disse o coordenador estadual da Federação das Casas Familiares Rurais do Paraná, Marco Geffer.
Já o engenheiro agrônomo Gustavo Defendi e Borghi, representando a superintendente federal do Desenvolvimento Agrário no Paraná, Leila Aubrift Klenk, apresentou as políticas públicas do Ministério para o segmento, falou sobre prazos e dificuldades, e garantiu que os pedidos de melhorias e mudanças estão chegando em Brasília.
VIDA NO CAMPO
A audiência também deu voz aos próprios jovens agricultores. Morador de Iporã, Bruno Matheus Gonçalves, agricultor familiar que produz leite e hortaliças orgânicas, contou que nunca cogitou deixar o campo graças ao acesso às políticas públicas destinadas à agricultura familiar.
Beneficiário de programas como o Pronaf e de políticas de comercialização por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ele afirmou que esses incentivos foram fundamentais para garantir renda e qualidade de vida à família.
“Nunca passou pela minha cabeça sair do campo por conta das políticas públicas. Somos uma agricultura familiar dependente desses programas, que ajudam muito o pequeno produtor. Sabemos que muitos jovens acabam indo embora, mas existem alternativas, e encontros como este são importantes justamente para fortalecer essas oportunidades e mostrar que é possível construir um futuro no meio rural”, afirmou.
O professor Silberto Cardoso, da Coordenação da Política Estadual de Defesa dos Direitos da Juventude do Paraná, ressaltou que 25 milhões de pessoas vivem no campo hoje no Brasil, cerca de 8% da população total. “Precisamos continuar trabalhando para dar mais oportunidade. Muitos ainda continuam achando que terão uma vida melhor e mais próspera na cidade, mas muitas vezes isso não acontece.”
Da Assessoria ALEP