Agronegócio brasileiro vive momento de grande oportunidade, diz Jose Luiz Tejon

No último dia 7 de julho, no Teatro Municipal de Campo Mourão, ocorreu a palestra Liderança das Cadeias Produtivas: o presente que leva à prosperidade no futuro, com José Luiz Tejon.

O evento, organizado pela CBN Agro, contou com o apoio da Coamo, Sindicato Rural, CODECAM, Câmara do Agronegócio, Agroi9 Incubadora, Rádio T, Tribuna do Interior e Prado, e o patrocínio do Sistema Faep, Bradesco e Jacto.

Para um teatro lotado, Tejon afirmou que o agronegócio brasileiro vive um momento de grande oportunidade e caberá às lideranças e aos produtores rurais perceberem e planejarem o desenvolvimento a partir desta oportunidade, para aumentar a produtividade e manter a liderança brasileira no setor.

Para ele, é necessário observar a realidade e aproveitar as dificuldades para crescer e continuar liderando. A diferença entre os produtores que progridem e os que não progridem, disse, está na sua capacidade de observação da realidade e de ação.

“A guerra na Europa e a covid pegou todos desprevenidos, no Brasil e no resto do mundo; caberá aos mais preparados ler esta nova realidade e crescer a partir dela. Ao invés de se buscar culpados, é necessário agir”, considerou, acrescentando que o agronegócio brasileiro tem seu fundamento na ciência, na tecnologia e na sustentabilidade.

Para Tejon, o país, ante as demandas mundiais por alimentos, tem a oportunidade de dobrar a sua produção e alimentar mais pessoas no mundo. “O produtor rural, na Europa e nos EUA, é visto como um ator importante para a nutrição humana, para a geração de alimentos e para o reforço à saúde”, informou.

Baseado em Ray Goldberg, estudioso de Harvard que criou o conceito de agronegócio, Tejon afirmou que o produtor rural, também no Brasil, pode e deve ser visto como um agente de saúde, que cuida do solo, da água, que gera alimentos e contribui para a manutenção da vida de brasileiros e estrangeiros.

Usando termos como “agrocidadania” e “agriceutica”, Tejon elencou elementos que interferirão na produção agrícola daqui em diante:

  • a percepção de que o produtor rural produz alimentos que levam à saúde, o que leva à necessidade de manutenção dos cuidados com o meio ambiente;
  • a valorização do local de origem dos produtos, do terroir onde foram produzidos, dos processos e das pessoas que o produziram;
  • o reforço e o estímulo permanentes à ciência e à tecnologia aplicada a agronegócio; adoção da inovação, baseada em ciência e tecnologia, como estratégia de negócios, para a geração de novos produtos, diretos e indiretos;
  • a geração de produtos e serviços dentro das agroindústrias com base em tecnologia, design e sabor, que agreguem valor à produção agrícola;
  • a percepção de que a agricultura é uma forma de combate à pobreza e de garantia da segurança alimentar, o que leva à necessidade de formação e inclusão econômica de milhares de produtores rurais, espalhados pelo país, que não conseguem retirar da terra sequer o seu próprio sustento e de bilhões de pessoas que não se alimentam suficientemente.

Segundo Tejon, para operacionalizar todas estas ideias, é fundamental estimular o cooperativismo. “A cooperação é a base para o progresso e o desenvolvimento do agronegócio”, considerou.

José Luiz Tejon também destacou a necessidade de inclusão de jovens e de mulheres na produção agrícola, como forma de manutenção e de geração de valor ao agronegócio, baseado em competências que somente esses segmentos familiares desenvolvem e possuem.