“Devagar quebra mola”, por Oswaldoir Capeloto, na coluna “Por escrito”

Oswaldoir

Andando pelas ruas, é comum depararmos com placas que nos denominam de uma forma tão estranha. Basta passarmos em frente de alguns portões para sermos chamados de cão bravo, pois lá está uma placa colorida com os dizeres: Não entre cão bravo.

Passo em frente de algumas lojas, escritórios, e até mesmo em algumas salas de aula, NAS ESCOLAS, e lá está: Entre ar condicionado.

Outras vezes, sem ao menos saber se represento perigo ou se posso ser vitima, deparo com o alerta: Cuidado chão molhado.

O pior de tudo aconteceu com um português, e não é piada. Eis o fato:

O português recém chegou ao Brasil, tomou um carro que locou no aeroporto e partiu rumo ao interior, dirigindo até tranquilo, na medida do possível, claro, já que os buracos são tantos e o desrespeito às leis de trânsito incontáveis, mas ele seguia. Lá pelas tantas deparou com uma placa: Devagar quebra mola. Tirou os óculos, limpou-os, colocou-os novamente, e releu, para ter certeza: Devagar quebra mola. Olhou pelo retrovisor, ninguém, estrada limpa. Afastou 50, 100, 200, 300 metros e veio, e veio, acelerando ao máximo. O carro foi ganhando velocidade, e mais, e mais velocidade, e plummm…

O carro se entortou todo lá do outro lado do quebra mola. Era pneu apontando para o céu, farol beijando o chão, para-choque, ainda em estado de choque, tremendo de medo, calota mais perdida que Carlota (Joaquina) quando chegou ao Brasil… E o português, coitado, desanimado, balbuciou: Ora, ora, pois, pois! Devagar quebra mola, passo correndo, quebra tudo. Não estou a entender.

É amigo leitor, você deve estar imaginando, induzido que foi pelas piadinhas existentes: Tinha que ser português. Afirmo que o português estava correto, pois ele agiu de acordo com o idioma dele, que é o mesmo do nosso, a amada e idolatrada língua portuguesa de Camões, de Machado de Assis… A mesma que é nossa por direito, com toda a sua beleza. Ele cumpriu o que informava a placa. Nós é que somos culpados pelo fato, exatamente por não respeitarmos a nossa língua mãe e não darmos o devido valor aos pontos e vírgulas.

Devagar, quebra molas. Devagar. Coloque os pontos e vírgulas e siga confortavelmente, sem sustos e atropelos, pelas estradas do nosso idioma.

Oswaldoir Capeloto.  Campo Mourão/Pr.

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