“Conto de Natal dos dias seguintes”, por Antônio José, na coluna “Por escrito”

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A rotina da família de Vera está mudada, agora além de todos os problemas que sempre teve: sozinha, grávida e desempregada, ainda tem que explicar para seu único filho de seis anos, coisas que nem ela consegue entender direito.

– Mamãe, no dia de Natal tinha tanta comida, doces e eu até ganhei brinquedo e hoje não tem mais?

– É que naquele dia comemoramos o nascimento de Jesus e as pessoas dão presentes, comida, essas coisas.

No dia 24 de dezembro pela manhã, parou um carrão na porta de sua casa e a esposa do presidente do Clube de Beneméritos da cidade, descarregou toda a sua caridade que estava no porta-malas.

José Carlos é um menino adorável, ele acredita que tudo vai mudar quando o seu pai, “que foi trabalhar fora”, voltar. Vera não conseguiu contar ao filho que seu marido está preso, que cometeu um erro ao descobrir que teria o segundo filho, mais um para passar dificuldades.

– Quando o papai voltar nós vamos ter comida como no dia de Natal né mamãe?

– Vamos filho, vamos sim.

Vera abaixa o rosto em um abraço terno com o filho, para esconder as suas lágrimas.

Na mansão da benfeitora do Clube de Beneméritos, ela suspirou profundamente e fez o seguinte comentário: “Ah, como é bom fazer o bem e ver uma família feliz no Natal, a gente se sente recompensada!”

Calma pessoal, isso é apenas um conto, com personagens e nomes fictícios, nem acontece por aí!

*Antonio José é diretor e editor do Jornal O Liberal de Campo Mourão; tem três livros de poesias editados: Lágrimas (1989) em coautoria com Oswaldoir Capeloto, Fragmentos (1998) e Mais Uma Vez a Poesia! (2002). Em tudo que faz usa uma frase que sintetiza o que mais acredita na vida depois de Deus: É Permitido Sonhar…!

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