“Chove lá fora”, por Néia Lambert, na coluna “Por escrito”

Néia Lambert foto

Meus olhos teimam em fitar a vidraça molhada, seguem as gotas d’água escorrendo, infatigavelmente, pela mesma trilha. Pergunto-me, por que todas tomam a mesma direção? Até parecem as pessoas que não conseguem fugir da rotina, soubessem elas que há tantos outros caminhos e que neles algumas novas paisagens se fariam, bonitas ou não, o tempo lhes diria.

Temporal ou chuvisco? Ventania ou brisa? Deixo a sensibilidade dizer o que é mais agradável ou intenso nesse dia, um momento onde a poesia insiste em dizer que não se deve perder nenhum detalhe que a natureza me propicia.

Ouço a enxurrada, ligeira e convicta, correndo barrenta pelo canto da rua levando consigo um amontoado de entulhos, tal qual a vida quando resolve mandar para bem longe, sem saber o destino, alguns lixos que enfeiam o caminho.

Como não perceber os pingos, de forma cadenciada, batendo no telhado? Lembram-me notas tiradas ao piano, uma a uma vão se juntando, virando cifras, criando ritmo. Aprecio a melodia, muito bem orquestrada pelos céus, chegando suavemente aos meus ouvidos.

Chove lá fora…

NÉIA LAMBERT – Graduada em Geografia pela Unespar (Campo Mourão); Técnica em Segurança do Trabalho – Proficiência em NR 35 – Instituto Cadenas (Curitiba); autora de contos, crônicas e poesias com participação em coletâneas. Integrou-se a AME – Associação Mourãoense de Escritores – em junho de 2011.

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