Mexendo na Bolsa: A camisinha feminina é a solução?

Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
A camisinha feminina é a solução?
Prostitutas e mulheres da melhor idade buscam esse contraceptivo para se prevenir da Aids

Os profissionais da Saúde garantem que a camisinha feminina é mais um meio de combater a Aids – e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) – , principalmente no casos em que os parceiros se recusam a usar o preservativo. Mas a camisinha feminina assusta pelo tamanho e pela dificuldade de colocá-la. Tem gente que usa?

O número de adeptas desse preservativo ainda é pequeno em vista da camisinha masculina. No ano passado o Ministério da Saúde distribuiu mais de 55 milhões de preservativo masculinos, enquanto que foram distribuídas 390 mil camisinhas femininas. Sim, a procura ainda é pequena. É um contraceptivo novo, ainda em descoberta pelo sexo feminino.

A psicóloga, Eliane Maio, pós-doutora na temática Educação Sexual no Brasil, explica que culturalmente e socialmente, a educação da mulher (ocidental) sempre se fez pelo processo da submissão ao homem, sendo considerada como inferior ao mesmo.

“Isto é visível ainda hoje nos brinquedos infantis. Os considerados de menino são agressivos, violentos, de comando e os de menina são mais parados, de ajuda (serviço de casa: passar, lavar, escovar, limpar…). Assim vão introjetando que elas têm que ser submissas, sem muito poder de voz. Por isso, culturalmente e socialmente, têm-se casos de aceitar, quase incondicionalmente, tudo o que lhe for pedido pelo homem. Neste caso, a mulher fica sem voz ‘ativa’ pra pedir o uso do preservativo”, complementa.

Para a psicóloga, o uso consciente da camisinha feminina pode trazer mudanças de hábitos e uma melhor campanha de prevenção, mesmo que o uso ainda não seja generalizado, como é o caso da camisinha masculina.

“O preservativo feminino está começando, muito lentamente, a ser usado. Um dos motivos seria o de não se conhecer. Têm mulheres que não conseguiriam introduzir, com suas próprias mãos, o preservativo, principalmente pela vergonha, pela falta de conhecimento corporal. Outro motivo é o preço e onde comprá-las, pois nunca se acha. Ainda bem que as Unidade Básicas de Saúde (UBS) distribuem gratuitamente”, ressalta a psicóloga Eliane.

Enquanto grande parte da população feminina não usa o preservativo feminino, uma parte gosta e usa muito. Em Campo Mourão (PR), as prostitutas e as mulheres da melhor idade buscam esse contraceptivo para se prevenir da Aids. As profissionais do sexo enganam os clientes com a camisinha feminina. Antes do programa, elas colocam o preservativo e passam um gelzinho para facilitar ainda mais a penetração. Assim, muitos dos clientes acreditam que estão transando sem camisinha e chegam a pagar até mais caro por esse sexo que eles acham que é sem prevenção. Já as vovós costumam levar as camisinhas femininas para os bailes da melhor idade. Para elas é muito mais fácil o uso desse preservativo, já que com certa idade fica mais difícil para o homem colocar a camisinha, além de que os idosos são mais arredios quanto ao uso do preservativo do que as idosas.

Alguns profissionais da Saúde acreditam que o preservativo feminino pode ser um grande aliado na prevenção, pois traz mais independência às mulheres, que se submetiam às relações sexuais sem camisinha. E você, o que acha? Já usou a camisinha feminina?

Lançamento do livro-reportagem “Um Olhar Sobre a Aids” nesta sexta-feira, 09, às 20h, na Biblioteca Municipal. Venha conferir nossos olhares sobre uma doença ainda sem cura. Sensações, perspectivas, relatos. O registro de vidas anônimas que são tão extraordinárias quanto a minha e a sua. Porque é na mesmice que a gente vê graça!

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Larissa Bortolli é jornalista. É metade feminista e outra metade também, embora às vezes seja machista. Evita os ‘istas’, mas nem sempre se livra deles.  Nada boa com relacionamentos, diz-se sozinha por opção (dos homens). É viciada em Doritos, filmes, mídias sociais e no seu sobrinho. Adora um drama, tanto na ficção quanto na vida real. Às vezes sente um aperto, sem motivo, no peito. Só tem uma certeza na vida: não ter certeza. Daí divaga. Sem grandes pretensões quer dominar o mundo, o seu mundo. Quando dá vontade também escreve aqui: http://lapsosonline.blogspot.com/

 
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